O avião que levava o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a Oslo quase foi atingido por um drone durante o trajeto, afirmou nesta quarta-feira (9) o primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre.
Segundo Støre, o incidente ocorreu na terça-feira (8), quando o avião decolava da Moldávia. Zelensky se deslocava para a capital norueguesa para participar do funeral do rei Harald V.
Espaço aéreo da Moldávia foi fechado por segurança
De acordo com autoridades moldavas, a decolagem da aeronave sofreu atraso depois que o espaço aéreo do país foi fechado, após a identificação de um drone russo na região. O voo só foi liberado assim que a queda do drone foi confirmada.
Apesar do episódio, Zelensky não cancelou a viagem nem os compromissos previstos. Ele chegou ao Hotel Plaza, no centro de Oslo, por volta das 21h de terça-feira.
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Zelensky relatou noite recebendo notícias de ataques
Ainda de acordo com Støre, Zelensky se reuniu com ele na própria terça-feira e voltou a se encontrar com o premiê nesta quarta-feira pela manhã, mesmo após o susto durante a viagem.
“Perguntei como tinha sido a noite, e ele disse que não foi boa, pois passou o tempo ao telefone recebendo notícias sobre onde os mísseis haviam caído”, declarou Støre à imprensa local.
Zelensky cobra resposta mais firme contra a Rússia
Nesta quarta-feira, Zelensky voltou a criticar a comunidade internacional por não adotar uma postura mais dura diante da intensificação dos bombardeios russos contra áreas civis da Ucrânia.
No final de agosto, a Rússia lançou uma semana de ataques contínuos contra Kiev, no que foi considerado o bombardeio mais pesado contra a capital ucraniana desde o início da invasão em larga escala, em 2022. Os ataques com mísseis e drones seguiram neste mês, segundo autoridades ucranianas.
“Infelizmente, a resposta da comunidade internacional a esses ataques, que ceifam vidas praticamente todos os dias, tem sido insuficiente”, disse Zelensky nas redes sociais. “Mas é necessária uma resposta: Moscou não deve entrar no inverno acreditando que pode impunemente promover o terror com mísseis e drones.”
Segundo a ONU, o aumento dos ataques aéreos russos matou ou feriu mais civis ucranianos em julho do que em qualquer outro mês desde março de 2022, com 437 mortos e mais de 2.600 feridos. Ao todo, mais de 16.800 civis ucranianos morreram e mais de 51.000 ficaram feridos desde o início da invasão, segundo a Missão de Monitoramento de Direitos Humanos da ONU na Ucrânia.
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Entenda o contexto
A Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022 e, desde então, mantém ataques regulares com mísseis e drones contra cidades ucranianas, incluindo a capital, Kiev. Moscou nega atacar civis e afirma que seus alvos são instalações de natureza militar.
Os Estados Unidos renovaram recentemente os esforços para encerrar o conflito, enviando enviados especiais a Kiev e Moscou. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, classificou as negociações entre Ucrânia e Rússia como “substantivas”, mas afirmou que ainda há muito a ser feito.
O rei Harald V da Noruega, cujo funeral levou Zelensky a Oslo, morreu no fim de agosto, aos 89 anos, após décadas no trono. Ele foi sucedido pelo filho, o então príncipe Haakon.
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