O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou à Justiça um homem de 45 anos pelo feminicídio da namorada, Giovanna Neves Santana Rocha, de 22 anos, encontrada morta em um apartamento na Savassi, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. O crime ocorreu em 9 de fevereiro de 2026 e, segundo a denúncia, o relacionamento era marcado por comportamento controlador e possessivo.
Adalton Martins Gomes é acusado de matar a jovem por asfixia e, depois, tentar apresentar a morte como suicídio. A investigação também aponta uma possível motivação patrimonial: segundo o Ministério Público, o acusado teria interesse no apartamento e em cerca de R$ 200 mil que pertenciam à vítima. As informações fazem parte da acusação apresentada à Justiça, e Gomes ainda responde ao processo sem condenação definitiva.
O que aconteceu no apartamento
Giovanna foi encontrada morta no imóvel onde vivia com o namorado. Naquele momento, a cena indicava inicialmente a possibilidade de suicídio, já que havia frascos de medicamentos espalhados pelo apartamento.
A perícia, porém, apontou outra causa para a morte. O laudo de necropsia identificou asfixia mecânica por sufocação, levando a Polícia Civil a investigar a hipótese de que a cena tivesse sido preparada para sustentar uma versão diferente para o que havia acontecido.
De acordo com a investigação, o histórico de depressão da jovem também teria sido utilizado para reforçar inicialmente a hipótese de suicídio. Com o avanço da apuração e os resultados dos exames, a linha investigativa mudou para a suspeita de feminicídio.
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Suspeito foi preso meses após a morte
Adalton Martins Gomes foi preso temporariamente em 15 de maio, dentro do próprio apartamento. Conforme as informações da investigação divulgadas pelo Metrópoles, ele ainda permanecia no imóvel e teria impedido a entrada de familiares da vítima.
A prisão ocorreu após a investigação reunir elementos que afastaram a hipótese inicial de suicídio e passaram a apontar para a possibilidade de homicídio qualificado por razões relacionadas à condição de mulher da vítima.
Investigação aponta possível interesse no patrimônio
Além da dinâmica da morte, a investigação passou a analisar uma possível motivação financeira. Segundo a acusação do MPMG, o homem teria tentado formalizar uma união estável depois da morte de Giovanna.
A medida, de acordo com a investigação, teria como objetivo assumir o controle do apartamento e de aproximadamente R$ 200 mil mantidos em uma conta bancária da jovem. O Ministério Público sustenta que o interesse patrimonial e o sentimento de posse estão entre os elementos que caracterizariam a motivação do crime.
MPMG aponta três circunstâncias na acusação
Na denúncia apresentada à Justiça, o Ministério Público sustenta que o crime teria sido cometido por motivo torpe, com emprego de meio cruel e recurso que teria dificultado a defesa da vítima.
A acusação também aponta que o feminicídio teria ocorrido dentro de um contexto de violência de gênero, com comportamento controlador e possessivo atribuído ao denunciado durante o relacionamento.
As circunstâncias descritas pelo MPMG ainda serão analisadas pela Justiça. A denúncia representa a acusação formal apresentada pelo Ministério Público, mas não significa que o homem tenha sido condenado.
Processo agora segue para análise da Justiça
Com a denúncia, caberá ao Judiciário analisar as acusações e o conjunto de provas reunidas durante a investigação. Caso as condições legais sejam preenchidas, o processo poderá avançar para a fase que antecede um eventual julgamento pelo Tribunal do Júri.
A defesa do acusado terá direito ao contraditório e à apresentação de sua versão durante o processo. Até uma eventual decisão definitiva, Gomes deve ser tratado como acusado e não como condenado.
O caso reúne, portanto, duas linhas centrais da investigação: a suspeita de que a morte tenha sido provocada por asfixia e posteriormente apresentada como suicídio e a possível existência de uma motivação relacionada ao patrimônio da vítima.
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Entenda o contexto
O caso de Giovanna ocorre em meio a uma série de episódios de violência contra mulheres investigados em Belo Horizonte e na Região Metropolitana ao longo de 2026. O tema voltou a ganhar espaço no debate público após diferentes investigações apontarem situações de violência doméstica e possíveis feminicídios na capital.
Em julho, por exemplo, a morte da capitã da Polícia Militar Michelle Leão Azevedo também passou a ser investigada como possível feminicídio. O caso levou o Ministério Público a denunciar o companheiro da vítima por feminicídio qualificado e outros crimes.
Em agosto, Belo Horizonte também criou uma data oficial de memória às mulheres vítimas de feminicídio. A Lei 12.106/2026 estabeleceu o dia 17 de outubro como data anual de homenagem e prevê ações de conscientização e prevenção da violência contra a mulher.
No caso de Giovanna, a investigação agora entra em uma nova etapa com a denúncia apresentada pelo MPMG. A Justiça deverá analisar as provas e os argumentos da acusação e da defesa antes de definir os próximos passos do processo.
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