Quem é Cezinha de Madureira, deputado alvo da PF por suspeita de tráfico de influência

Parlamentar do PL de São Paulo é alvo da terceira fase da Operação Transparência, que investiga suspeitas de tráfico de influência, exploração de prestígio, corrupção passiva e lavagem de dinheiro
Redação NC News
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O deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) entrou no centro de uma nova investigação da Polícia Federal nesta segunda-feira (14). O parlamentar é um dos alvos da terceira fase da Operação Transparência, que apura possíveis irregularidades na destinação de emendas parlamentares e suspeitas de influência indevida sobre processos em tribunais superiores.

A operação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), cumpre quatro mandados de busca e apreensão em endereços no Distrito Federal e em São Paulo. A investigação apura possíveis crimes de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O nome de Cezinha ganhou ainda mais destaque porque o deputado mantém relação próxima com o ministro André Mendonça e foi responsável por intermediar um encontro entre o magistrado e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master.

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Deputado é ligado à Assembleia de Deus

Antonio Cezar Correia Freire, conhecido politicamente como Cezinha de Madureira, nasceu em Ipiaú, na Bahia, em 1973. Jornalista, radialista e pastor evangélico, construiu sua trajetória política ligada à Assembleia de Deus Ministério de Madureira.

Antes de chegar ao Congresso Nacional, foi deputado estadual em São Paulo. Em 2018, foi eleito deputado federal e posteriormente reeleito para a Câmara. Em 2026, está filiado ao PL.

Sua atuação política também esteve associada à defesa de pautas de interesse do segmento evangélico e à articulação da bancada ligada às igrejas.

A proximidade com lideranças religiosas ajudou a ampliar sua circulação entre diferentes grupos políticos e autoridades. É nesse contexto que aparece também sua relação com André Mendonça, ministro do STF e integrante da comunidade evangélica.

Encontro entre Mendonça e Vorcaro colocou deputado no radar

A relação entre Cezinha, Mendonça e Vorcaro ganhou relevância após a revelação de uma reunião realizada em março de 2025 entre o ministro do STF e o então banqueiro.

Segundo informações divulgadas durante a investigação, o encontro foi articulado pelo deputado e pelo advogado Ciro Rocha Soares. Mendonça confirmou posteriormente que recebeu Vorcaro em um instituto ligado a ele, em São Paulo.

O ministro afirmou que se limitou a ouvir o empresário e que a conversa tratou de uma questão envolvendo precatórios. Mendonça também declarou que sua atuação jurisdicional posteriormente foi contrária aos interesses defendidos por Vorcaro.

Mensagens encontradas no celular de Vorcaro, porém, mostraram que Cezinha participou da articulação do encontro. Em uma das conversas, o deputado avisou ao ex-banqueiro que o ministro já o aguardava.

A existência da reunião, por si só, não significa que Mendonça tenha cometido irregularidade. A própria Polícia Federal informou que, até o momento, não encontrou elementos que indiquem participação de integrantes do Judiciário nos fatos investigados.

O que a PF investiga

A terceira fase da Operação Transparência busca aprofundar uma investigação iniciada em dezembro de 2025 sobre possíveis irregularidades na destinação e negociação de emendas parlamentares.

Segundo a PF, os investigados teriam negociado o pagamento de valores expressivos condicionado ao resultado de processos em andamento, sob a justificativa de que poderiam influenciar decisões judiciais.

A apuração, portanto, não se limita à atuação parlamentar de Cezinha. A investigação tenta descobrir se pessoas ligadas ao grupo utilizaram relações políticas e contatos com autoridades para obter vantagens em processos que tramitavam nos tribunais superiores.

Os investigadores também apuram possíveis práticas de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Mulher de Cezinha também foi alvo

A operação desta segunda-feira também alcançou Valéria Rodrigues Linhares, mulher do deputado.

Um dos mandados de busca foi cumprido no apartamento dela, em São Paulo. A participação de Valéria está sendo analisada dentro do conjunto de suspeitas investigadas pela Polícia Federal.

Em agosto, a PF já havia apreendido R$ 510 mil em dinheiro vivo com Valéria, segundo informações divulgadas sobre a investigação. O episódio passou a integrar o conjunto de elementos analisados pela corporação.

Investigação ainda não aponta envolvimento de ministros

Apesar de a operação envolver uma investigação sobre supostas tentativas de influência em processos judiciais, a Polícia Federal fez uma ressalva importante.

Segundo a corporação, não existem, até o momento, elementos que indiquem a participação de integrantes do Poder Judiciário nos fatos apurados.

Isso significa que o foco da investigação está, neste momento, sobre as pessoas que teriam atuado na intermediação ou negociação de influência e não sobre uma conclusão de que ministros do STF tenham participado de eventual esquema.

A apuração deverá avançar a partir do material recolhido nas buscas e de eventuais análises de documentos, aparelhos eletrônicos e movimentações financeiras.

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Entenda O Contexto

Cezinha de Madureira é deputado federal pelo PL de São Paulo e possui trajetória política ligada à Assembleia de Deus Ministério de Madureira. O parlamentar passou a ocupar posição de maior destaque nacional após sua aproximação com diferentes setores políticos e autoridades, entre eles o ministro André Mendonça.

Essa relação ganhou atenção após Cezinha participar da articulação de uma reunião entre Mendonça e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Agora, o deputado é alvo da terceira fase da Operação Transparência, que investiga suspeitas de tráfico de influência, exploração de prestígio, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

A PF também apura possíveis irregularidades relacionadas à destinação de emendas parlamentares. Até o momento, a corporação afirma não ter identificado elementos que indiquem participação de integrantes do Judiciário nos fatos investigados. As suspeitas contra Cezinha ainda estão sob investigação e não representam, por si só, uma conclusão de culpa.

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