Um jovem de 23 anos foi condenado a quatro anos de reclusão em regime inicial aberto por simular o próprio sequestro para tentar extorquir R$ 800 da mãe. O caso aconteceu em São Sebastião, no litoral de São Paulo, em 2025, e foi analisado em segunda instância pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).
O homem estava desaparecido havia cerca de uma semana quando a mãe começou a receber ligações e mensagens informando que o filho havia sido sequestrado. Para que ele fosse libertado, os supostos sequestradores exigiam o pagamento do dinheiro.
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Entenda o que aconteceu
Preocupada com o desaparecimento e com as mensagens recebidas, a mãe procurou a polícia. Os agentes passaram a investigar o suposto sequestro e foram até o local combinado para o pagamento do resgate.
Quando chegaram ao endereço, os policiais encontraram o próprio jovem acompanhado de dois amigos. De acordo com o processo, os três admitiram que haviam armado a situação com o objetivo de conseguir dinheiro da mãe.
A investigação apontou, portanto, que não havia um sequestro real. O próprio desaparecido participava da encenação.
Jovem alegou que foi coagido
Durante o processo, o rapaz apresentou outra versão. Ele afirmou ser dependente químico e disse que teria sido coagido por pessoas de quem comprava drogas a participar da simulação.
A justificativa, porém, não foi aceita pela Justiça. Ao analisar o recurso, a 11ª Câmara de Direito Criminal do TJSP considerou que as circunstâncias do caso e as mensagens enviadas à mãe demonstravam que o jovem havia organizado a farsa para obter vantagem financeira.
Justiça mantém condenação
O relator do recurso, desembargador Renato Genzani Filho, rejeitou a versão apresentada pela defesa e manteve a condenação.
A pena estabelecida foi de quatro anos de reclusão em regime inicial aberto.
A decisão foi tomada em segunda instância pela 11ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo.
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Como a polícia descobriu a farsa
A investigação começou depois que a mãe procurou as autoridades para comunicar o suposto sequestro.
A partir das informações recebidas, os policiais foram até o ponto indicado para o pagamento do resgate. No local, encontraram o jovem junto com dois amigos, o que levou à descoberta da encenação.
A própria abordagem acabou desmontando o plano: em vez de encontrar sequestradores mantendo uma vítima em cativeiro, os agentes encontraram o suposto sequestrado participando da tentativa de extorsão.
O que chamou atenção da Justiça
Para os desembargadores, o conjunto de elementos reunidos no processo contrariou a versão de que o jovem teria agido apenas por pressão de terceiros.
As mensagens e as circunstâncias em que ele foi encontrado foram consideradas suficientes para sustentar a conclusão de que o grupo havia criado o falso sequestro com a intenção de obter dinheiro da mãe.
O caso terminou com a manutenção da condenação em segunda instância.
Entenda o contexto
O chamado falso sequestro pode causar uma reação imediata das famílias, que muitas vezes recebem mensagens ou ligações com informações sobre um suposto parente mantido em cativeiro e são pressionadas a pagar rapidamente.
Neste caso, porém, a situação tinha uma particularidade: a própria suposta vítima fazia parte da encenação. O objetivo era criar a impressão de que o jovem estava sendo mantido em poder de criminosos para convencer a mãe a entregar o dinheiro.
A Justiça considerou que a estratégia foi usada para obter uma vantagem financeira indevida e manteve a condenação do rapaz.
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