Morte do irmão de Ana Lídia encerra capítulo de crime que chocou Brasília

Álvaro Henrique Braga foi investigado e preso pela morte da irmã, mas acabou absolvido por falta de provas; crime prescreveu em 1993 e nunca foi solucionado
Redação NC News
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A morte de Álvaro Henrique Braga, irmão de Ana Lídia Braga, encerra mais um capítulo de um dos crimes mais emblemáticos da história de Brasília. A menina tinha 7 anos quando desapareceu, em 11 de setembro de 1973, após ser deixada pelos pais em uma escola particular da Asa Norte.

No dia seguinte, o corpo dela foi encontrado nas proximidades da Universidade de Brasília (UnB). Álvaro chegou a ser preso e levado a julgamento sob suspeita de participação no crime, mas foi absolvido por falta de provas.

Álvaro morreu em 25 de novembro de 2025, no Rio de Janeiro, onde vivia e trabalhava como médico desde 1983. A informação sobre o óbito foi confirmada pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (CREMERJ) e tornou-se pública apenas nesta quarta-feira (16/9), mais de 50 anos depois do assassinato de Ana Lídia.

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O desaparecimento de Ana Lídia

Ana Lídia desapareceu na tarde de 11 de setembro de 1973, depois de ser deixada pelos pais na porta de uma escola particular da Asa Norte, onde teria aulas de reforço.

Naquele dia, uma testemunha relatou ter visto um homem alto e loiro, usando blusa branca e calça verde militar, abordar a menina e deixar o local com ela.

O corpo de Ana Lídia foi encontrado no dia seguinte, nas proximidades da UnB. O crime provocou forte comoção em Brasília e no país e, ao longo das décadas, tornou-se um dos casos criminais mais conhecidos da capital.

Álvaro foi investigado e preso

Na época, Álvaro Henrique tinha 18 anos e foi apontado pela polícia como o principal suspeito de ter buscado a irmã na escola. Os pais de Ana Lídia, porém, sempre afirmaram que ele estava com eles quando deixaram a menina no colégio.

A família também negou de forma reiterada qualquer participação de Álvaro no crime.

Outro homem investigado foi Raimundo Lacerda Duque, então com 30 anos. A polícia sustentava que ele teria agido junto com Álvaro. Em depoimento, Duque afirmou que havia tomado conhecimento do desaparecimento de Ana Lídia apenas pelo rádio.

Os dois ficaram presos por mais de um ano enquanto aguardavam o julgamento.

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Absolvição por falta de provas

Em junho de 1975, Álvaro e Duque foram absolvidos por falta de provas. A decisão encerrou a etapa judicial contra os dois sem apontar um responsável pelo assassinato.

Além deles, outros nomes chegaram a ser associados às investigações. Alfredo Buzaid Júnior, filho do então ministro da Justiça, e Eduardo Ribeiro de Rezende, conhecido como Rezendinho e filho do então senador Eurico Rezende, também foram considerados suspeitos.

Os dois estudavam no mesmo colégio de Álvaro e, segundo as suspeitas levantadas à época, seriam usuários de drogas. As investigações, porém, não conseguiram estabelecer uma ligação deles com a morte de Ana Lídia.

Processo foi reaberto, mas acabou encerrado

Em 1985, o processo foi reaberto depois do surgimento de novas informações sobre o assassinato. As investigações, contudo, não conseguiram reunir provas suficientes para esclarecer definitivamente o crime.

O processo acabou encerrado e o crime prescreveu em 11 de setembro de 1993.

O que aconteceu com os principais envolvidos

Depois da absolvição de Álvaro, a família Braga deixou Brasília e se mudou para o Rio de Janeiro. O pai de Ana Lídia morreu na capital fluminense em 2011, sem nunca ter concedido entrevistas sobre o caso.

Raimundo Lacerda Duque morreu em 2005, em decorrência de problemas relacionados ao alcoolismo. A mãe de Ana Lídia, que sempre afirmou não acreditar no envolvimento do filho, morreu em março daquele mesmo ano.

Alfredo Buzaid Júnior morreu em 1975, em um acidente de carro. Eduardo Ribeiro de Rezende, o Rezendinho, morreu em 1990, aos 40 anos, em Vitória, no Espírito Santo.

Com a morte de Álvaro, os dois homens que chegaram a ser levados a julgamento pelo assassinato de Ana Lídia estão mortos. O caso, que passou por investigação, julgamento e reabertura, permanece sem uma solução definitiva.

Álvaro viveu no Rio de Janeiro após absolvição

Depois de deixar Brasília, Álvaro Henrique Braga construiu a vida profissional no Rio de Janeiro. Ele se formou em medicina e passou a atuar na área médica a partir de 1983.

O médico manteve uma postura reservada ao longo dos anos e permaneceu distante da imprensa. Sua morte ocorreu em 25 de novembro de 2025, aos 71 anos, mas a informação só foi divulgada publicamente em setembro de 2026.

Entenda o contexto

Ana Lídia Braga desapareceu em 11 de setembro de 1973, aos 7 anos. O corpo foi encontrado no dia seguinte nas proximidades da UnB. O crime gerou uma investigação que levou Álvaro Henrique Braga e Raimundo Lacerda Duque a julgamento, mas ambos foram absolvidos por falta de provas.

O processo chegou a ser reaberto em 1985, mas acabou encerrado. O crime prescreveu em 1993, sem que houvesse uma condenação definitiva pelo assassinato.

Mais de cinco décadas depois, a morte de Álvaro encerra outro capítulo da história do caso, que permanece sem resposta sobre a autoria do crime.

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