Stranger Things: Histórias de 85 troca o Mundo Invertido por fantasmas, flores e um novo tipo de medo

Nova temporada animada de Stranger Things explora medos infantis e elementos sobrenaturais em 2026.
Redação NC News
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A segunda temporada de Stranger Things: Histórias de 85 aposta em uma mudança de escala para continuar explorando Hawkins. Em vez de simplesmente repetir a fórmula da primeira temporada, a animação coloca seus personagens diante de fantasmas, flores misteriosas, criaturas sobrenaturais e uma antiga mina da cidade.

A mudança funciona justamente porque a produção entende uma das principais vantagens de sua existência: ela não precisa repetir exatamente o que a série principal já fez.

Lançada em 17 de setembro de 2026, apenas cinco meses depois da estreia da primeira temporada, a nova leva tem oito episódios e retoma a história imediatamente após os acontecimentos anteriores. A trama avança para fevereiro de 1985, quando Eleven, Mike, Will, Dustin, Lucas, Max e Nikki tentam retomar uma rotina relativamente normal enquanto se preparam para o Dia dos Namorados.

Só que Hawkins nunca permanece normal por muito tempo.

A cidade começa a ser tomada por flores de aparência incomum, enquanto manifestações fantasmagóricas e criaturas conhecidas como Hate Sprites espalham o caos. Ao mesmo tempo, o grupo passa a investigar a história de uma antiga mina e a lenda de Blood Axe Bill, conectando o passado da cidade à nova ameaça.

A temporada, portanto, não abandona o universo sobrenatural estabelecido por Stranger Things. O que ela faz é mudar a maneira como esse universo é apresentado.

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Hawkins ganha uma nova assombração

A chegada do Valentine’s Day funciona como pano de fundo para uma temporada muito mais concentrada nas relações entre os personagens.

Mike e Eleven continuam desenvolvendo o relacionamento iniciado na série original, enquanto Lucas e Max enfrentam os altos e baixos de uma relação adolescente que ainda está longe de encontrar estabilidade. A crítica de Alexander Zalben, do Comic Book Club, observa que a temporada dedica mais espaço justamente às dinâmicas românticas dos dois casais.

Esse elemento ajuda a aproximar a ameaça sobrenatural de conflitos mais reconhecíveis. As crianças continuam investigando fenômenos que poderiam destruir Hawkins, mas também precisam lidar com ciúmes, inseguranças, amizades e as dificuldades de crescer.

É uma característica que aproxima a animação da essência das primeiras temporadas de Stranger Things: antes de serem heróis, esses personagens continuam sendo crianças tentando entender o mundo.

O sobrenatural, por sua vez, ganha uma aparência diferente.

As flores luminosas espalhadas por Hawkins parecem inicialmente apenas uma curiosidade visual. A própria Netflix descreve o fenômeno como uma das grandes anomalias da nova temporada e explica que Max e Nikki chegam a planejar vender as flores pela cidade, fazendo com que o problema se espalhe ainda mais.

A investigação leva o grupo para lugares que ainda não haviam sido explorados pela animação, principalmente a antiga mina de Hawkins. É nesse espaço que a história começa a revelar que os acontecimentos não são fenômenos isolados, mas partes de uma ameaça maior.

O resultado é uma temporada que funciona mais como uma história de fantasmas do que como uma simples repetição dos monstros da primeira fase.

Blood Axe Bill e o passado de Hawkins

Um dos elementos mais interessantes da temporada é a utilização da lenda de Blood Axe Bill.

O personagem não deve ser tratado simplesmente como um “assassino histórico” cuja alma retorna para aterrorizar a cidade. A história é mais específica: a investigação do grupo acaba envolvendo a história de Samuel Hawkins e Bill “Blood Axe” Dandridge, antepassado de Charlie. No desfecho, o trabalho dos jovens ajuda inclusive a esclarecer a história de Bill e a exonerar seu nome.

Essa conexão também corrige uma das interpretações mais simplistas que podem surgir da premissa.

A temporada começa parecendo apresentar uma tradicional história de fantasma, mas gradualmente transforma o mistério em algo maior. As aparições, as flores, as criaturas e a mina acabam fazendo parte de uma mesma cadeia de acontecimentos.

A Netflix confirma que a ameaça da temporada envolve manifestações fantasmagóricas e uma infestação de Hate Sprites, enquanto a investigação dos personagens também passa pela possibilidade de uma nova abertura para o Mundo Invertido.

Por isso, dizer que a segunda temporada “abandona o Mundo Invertido” seria impreciso.

Ela reduz a centralidade do conceito, mas não rompe com ele.

Essa distinção é importante. A série tenta criar uma identidade própria sem transformar a animação em um universo completamente separado da mitologia de Stranger Things.

Dustin, Charlie e o grupo dividido

Dustin continua sendo um dos principais motores da investigação. A temporada mantém o personagem no centro das descobertas e utiliza seu perfil curioso e impulsivo para conduzir boa parte da investigação.

A presença de Charlie também ganha importância.

Mas aqui existe uma correção fundamental em relação ao texto original: Charlie não é uma novidade da segunda temporada. O personagem, interpretado por Benjamin Valic, já fazia parte da primeira temporada. Agora, porém, ele recebe uma função mais relevante dentro da trama, principalmente por sua ligação com a história de Blood Axe Bill.

A dinâmica entre os personagens também muda porque o grupo passa boa parte da temporada dividido.

Em determinados momentos, diferentes combinações de personagens investigam partes distintas do mistério. Eleven e Mike enfrentam uma frente da ameaça, enquanto Dustin, Nikki, Will e Charlie se envolvem com os acontecimentos nas minas. Lucas e Max, por sua vez, precisam lidar simultaneamente com seus próprios problemas e com o avanço das flores pela cidade.

Essa divisão é uma das características que diferenciam a temporada.

Em vez de manter o grupo inteiro unido durante toda a investigação, a animação permite que diferentes relações sejam exploradas em paralelo. O resultado é irregular, mas também cria espaço para personagens que poderiam facilmente desaparecer em uma história tão carregada de criaturas e mistérios.

Nikki, particularmente, continua sendo uma peça importante.

A personagem não aparece apenas como uma integrante adicional do grupo. Críticas da segunda temporada destacam que ela passa a funcionar mais como a responsável pela parte tecnológica e pela construção de equipamentos, enquanto suas relações com os demais personagens ganham mais espaço.

A animação é uma das grandes forças

Visualmente, Histórias de 85 continua tendo uma vantagem evidente sobre uma eventual tentativa de reproduzir essa mesma história em live-action.

A animação permite que as flores luminosas, os fantasmas, as criaturas e os ambientes sobrenaturais tenham uma liberdade visual que seria muito mais difícil de alcançar com efeitos práticos ou computação gráfica tradicional.

A segunda temporada aproveita especialmente a neve, as florestas, as minas e a iluminação azulada das aparições para criar uma Hawkins simultaneamente familiar e estranha.

Uma crítica publicada pelo Seat42 destaca justamente esse aspecto: a temporada combina o ambiente nevado de Hawkins com iluminação incomum, florestas de inverno e o visual inquietante das novas ameaças.

O trabalho de animação também permite que a série se aproxime de uma espécie de aventura sobrenatural juvenil, algo que combina com a idade dos personagens.

É aí que Histórias de 85 encontra uma identidade própria.

Ela não precisa competir diretamente com o espetáculo visual da série principal. Seu espaço é menor, mais colorido e mais próximo de uma aventura de crianças investigando aquilo que os adultos não conseguem perceber.

O problema é que a fórmula continua reconhecível demais

A mudança de ameaça não elimina uma das principais limitações da animação: sabemos que existe um caminho relativamente estreito para o que pode acontecer com esses personagens.

Como a história está situada entre a segunda e a terceira temporadas da série original, o spin-off precisa trabalhar dentro de um espaço narrativo já delimitado.

Isso significa que a série pode criar monstros, fantasmas e novos mistérios, mas não pode transformar completamente a trajetória dos personagens.

É uma questão apontada por diferentes críticos.

O Comic Book Club considera a segunda temporada mais próxima da estrutura de uma temporada tradicional de Stranger Things, mas observa que a primeira tinha mais desenvolvimento de personagens.

Já a Ready Steady Cut avalia que a nova temporada melhora em relação à anterior, mas continua limitada pela necessidade de manter o status quo antes da terceira temporada da série principal.

Essa limitação é importante porque interfere diretamente no impacto do suspense.

O espectador pode acreditar que Hawkins está diante de uma ameaça gigantesca, mas sabe que a história precisa terminar antes de julho de 1985, quando começa a terceira temporada da produção original.

A animação consegue criar perigo, mas nem sempre consegue transformar esse perigo em consequência permanente.

Uma temporada mais confortável com sua própria identidade

O resultado é uma segunda temporada que parece mais segura sobre o que quer ser.

Ela continua sendo uma extensão de Stranger Things, mas não tenta simplesmente copiar o Mundo Invertido, Vecna ou os monstros mais conhecidos da franquia.

Em seu lugar, surgem fantasmas, flores, criaturas, uma mina e uma investigação envolvendo o passado de Hawkins.

É uma mudança suficiente para renovar a fórmula sem romper com o universo.

A recepção crítica, porém, está longe de ser uniforme. No Rotten Tomatoes, a segunda temporada aparece com avaliações divididas entre os críticos, com elogios à animação, às criaturas e aos momentos de aventura, mas também críticas relacionadas ao desenvolvimento dos personagens, ao ritmo e à sensação de repetição.

Esse contraste resume bem a temporada.

Para quem procura mais tempo com Eleven, Mike, Dustin, Lucas, Max, Will e Nikki, existe bastante material para aproveitar. Para quem esperava que o spin-off finalmente rompesse de maneira radical com a fórmula de Stranger Things, a mudança pode parecer menor do que a promessa inicial sugeria. A segunda temporada não reinventa a franquia. Mas também não precisa fazê-lo.

Seu principal mérito está em entender que Hawkins pode continuar produzindo histórias mesmo quando o Mundo Invertido não ocupa o centro de cada episódio. A animação encontra espaço para experimentar com horror sobrenatural, relações adolescentes e criaturas visualmente mais livres, enquanto preserva o grupo que tornou a franquia reconhecível.

No fim, Histórias de 85 funciona melhor quando aceita ser exatamente aquilo que é: uma aventura paralela de Hawkins, construída para preencher um espaço específico da cronologia e oferecer novas histórias sem alterar radicalmente o destino conhecido dos personagens.

E talvez seja justamente essa escala menor que permita à animação continuar existindo quando a história principal já chegou ao fim.

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Entenda O Contexto

Stranger Things: Histórias de 85 é uma série animada ambientada no inverno de 1985, entre a segunda e a terceira temporadas da produção original. A primeira temporada estreou em abril de 2026 e acompanhou Eleven, Mike, Will, Dustin, Lucas e Max em uma nova aventura em Hawkins, com a introdução de Nikki Baxter. A segunda temporada chegou à Netflix em 17 de setembro, com oito episódios, retomando a história imediatamente após os acontecimentos da primeira.

Na nova história, o grupo se prepara para o Valentine’s Day enquanto Hawkins começa a enfrentar fenômenos sobrenaturais. Flores misteriosas surgem pela cidade, aparições fantasmagóricas assustam os moradores e criaturas chamadas Hate Sprites passam a fazer parte da investigação. A trama também leva os personagens para uma antiga mina e para uma investigação envolvendo Blood Axe Bill Dandridge, antepassado de Charlie.

A temporada muda o tipo de ameaça apresentado na primeira, mas não rompe com o Mundo Invertido. A própria Netflix indica que os acontecimentos estão relacionados à possibilidade de abertura de um novo portal, enquanto o desfecho conecta diferentes elementos apresentados ao longo dos episódios. No final, os personagens precisam trabalhar em equipes diferentes para impedir que a ameaça avance sobre Hawkins.

A produção mantém Brooklyn Davey Norstedt como voz de Eleven, Luca Diaz como Mike, Braxton Quinney como Dustin, Elisha “EJ” Williams como Lucas, Jolie Hoang-Rappaport como Max, Benjamin Plessala como Will e Odessa A’zion como Nikki. Outros personagens conhecidos, como Hopper, Steve e Nancy, também retornam em participações.

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