A indústria brasileira deve processar 63,5 milhões de toneladas de soja em 2026, o maior volume já registrado. A nova estimativa foi divulgada nesta sexta-feira (18) pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).
A projeção anterior era de 63,3 milhões de toneladas. Com a revisão, o processamento deve ficar cerca de 8,5% acima das 58,5 milhões de toneladas registradas em 2025, impulsionado pela produção elevada e pela demanda por derivados como óleo e farelo.
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Entenda o que aconteceu
A Abiove elevou de 63,3 milhões para 63,5 milhões de toneladas a estimativa de soja destinada ao processamento industrial neste ano. Ao mesmo tempo, a entidade manteve a projeção de produção nacional em aproximadamente 180,4 milhões de toneladas.
Já a estimativa para as exportações de soja em grão foi reduzida de 115,4 milhões para 115 milhões de toneladas. Mesmo com o pequeno ajuste, o Brasil continua movimentando volumes elevados da commodity no mercado internacional.
Processamento agrega valor à soja brasileira
O aumento do esmagamento significa que uma parcela maior da soja pode ser transformada dentro do país em produtos como farelo e óleo, em vez de ser comercializada apenas como grão.
O avanço também acompanha um ano de forte atividade da indústria. Entre janeiro e julho, foram processadas 33,6 milhões de toneladas, crescimento de 8,3% em relação ao mesmo período de 2025.
Óleo de soja ganha força no exterior
A Abiove projeta produção de 12,8 milhões de toneladas de óleo de soja em 2026. As exportações devem chegar a 1,8 milhão de toneladas, ante 1,32 milhão no ano passado.
Nos primeiros oito meses do ano, os embarques de óleo já cresceram 42%. A Índia ganhou destaque nesse mercado, com aumento de 56% nas compras e participação de aproximadamente 70% nos embarques brasileiros do produto.
Farelo também amplia espaço no mercado internacional
A estimativa de produção de farelo de soja foi elevada para 48,9 milhões de toneladas. As exportações são projetadas em 25,3 milhões de toneladas, volume 8,5% superior ao registrado em 2025.
Entre janeiro e agosto, os embarques brasileiros de farelo chegaram a 17,3 milhões de toneladas, avanço de 13% na comparação anual.
O Oriente Médio apresentou uma das maiores expansões entre os destinos. As vendas brasileiras para a região chegaram a aproximadamente 1,87 milhão de toneladas, crescimento de 387%.
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China segue importante, mas destinos se diversificam
A China continua sendo um mercado central para a soja brasileira, mas outros compradores também ampliaram a demanda em 2026.
Os países asiáticos, excluindo a China, aumentaram suas compras, assim como a União Europeia. O movimento mostra uma maior distribuição geográfica dos destinos das exportações brasileiras.
Ao mesmo tempo, a redução da projeção de embarques de soja em grão e o aumento do processamento interno mostram uma mudança na composição do complexo da soja: parte maior da produção passa pela indústria brasileira antes de chegar ao mercado.
Entenda o contexto
O Brasil atravessa um ano de elevada produção de soja. A Abiove trabalha com uma estimativa de aproximadamente 180,4 milhões de toneladas para 2026.
Com maior disponibilidade do grão e demanda internacional pelos derivados, o processamento doméstico ganhou espaço. O resultado esperado de 63,5 milhões de toneladas supera o recorde de 2025 e reforça a participação da indústria no complexo da soja.
A combinação entre maior esmagamento, exportações de óleo em alta e crescimento dos embarques de farelo mostra que o país amplia não apenas a produção da commodity, mas também o processamento interno de parte dessa matéria-prima.
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