Desenrola 2.0 corta R$ 22,4 bilhões em dívidas, mas endividamento das famílias segue perto do recorde

Programa renegociou cerca de 10 milhões de débitos entre maio e agosto, com desconto médio de 80%; mesmo após os acordos, 73,71 milhões de brasileiros continuavam inadimplentes em agosto
Redação NC News
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O Desenrola 2.0 reduziu em R$ 22,4 bilhões o estoque de dívidas renegociadas por famílias brasileiras entre maio e agosto de 2026. Cerca de 10 milhões de débitos foram renegociados ou tiveram seus valores reduzidos durante a nova edição do programa, que ofereceu condições especiais para consumidores reorganizarem suas finanças.

O balanço mostra, porém, que o alívio proporcionado pelas renegociações convive com um cenário ainda difícil para as famílias. O endividamento permanece próximo dos maiores níveis da série histórica do Banco Central e 73,71 milhões de brasileiros continuavam com contas em atraso em agosto.

Desenrola reduziu dívidas em R$ 22,4 bilhões

A nova edição do programa resultou em 5,54 milhões de operações de crédito e alcançou aproximadamente 10 milhões de débitos. O desconto médio concedido nas renegociações chegou a 80%.

Depois da redução de R$ 22,4 bilhões, o saldo das dívidas abrangidas pelas renegociações ficou em aproximadamente R$ 5,71 bilhões.

O programa foi direcionado principalmente à recuperação financeira de famílias que acumulavam dívidas bancárias e enfrentavam dificuldades para voltar ao mercado de crédito.

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Desconto médio chegou a 80%

Os acordos realizados entre maio e agosto tiveram desconto médio de 80%, permitindo que consumidores reduzissem de forma significativa o valor necessário para regularizar débitos.

O Novo Desenrola Brasil foi direcionado a pessoas com renda mensal de até cinco salários mínimos e incluiu dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 que estavam atrasadas entre 91 e 720 dias.

Entre as modalidades contempladas estavam dívidas de cartão de crédito rotativo, cheque especial e crédito pessoal sem consignação em folha.

Endividamento continua próximo do recorde

Apesar do volume renegociado, os indicadores gerais mostram que o orçamento das famílias brasileiras continua pressionado pelas dívidas.

Dados do Banco Central apontam que o endividamento das famílias em relação à renda acumulada nos 12 meses chegou a 49,92% em janeiro. O indicador ficou em 49,83% em maio e recuou para 49,75% em junho.

Mesmo com a pequena redução, os percentuais continuam entre os maiores registrados desde o início da série histórica, em 2005.

Dívidas comprometem 28,9% da renda das famílias

Outro indicador que demonstra a pressão sobre o orçamento doméstico é o comprometimento da renda com o pagamento das dívidas.

Em junho, 28,9% da renda das famílias estava comprometida com obrigações financeiras, segundo as estatísticas monetárias e de crédito do Banco Central.

O custo das modalidades de crédito também pesa sobre os consumidores. O cartão de crédito, especialmente quando a fatura não é paga integralmente, permanece entre as formas mais caras de financiamento disponíveis no país.

Brasil ainda tem 73,71 milhões de inadimplentes

O número de consumidores inadimplentes apresentou queda de 1,89% em agosto, mas permaneceu elevado. Ao todo, 73,71 milhões de brasileiros estavam com contas em atraso.

O contingente representa 43,9% da população considerada pelo indicador, com dívidas vencidas há mais de 90 dias.

Os números mostram que a renegociação conseguiu reduzir parte relevante das dívidas incluídas no programa, mas a inadimplência permanece disseminada entre as famílias brasileiras.

Programa permitiu uso do FGTS

Uma das novidades do Novo Desenrola foi a possibilidade de utilização de recursos do FGTS para amortizar ou quitar parte das dívidas renegociadas, desde que o consumidor atendesse aos critérios estabelecidos pelo programa.

As regras permitiram o uso de até R$ 1 mil ou 20% do saldo disponível nas contas vinculadas do trabalhador, prevalecendo o maior valor, observadas as demais condições previstas.

A adesão das instituições financeiras às renegociações foi voluntária. Por isso, mesmo consumidores enquadrados nos critérios dependiam da participação do banco responsável pela dívida.

Programa terminou no fim de agosto

O período para formalização dos acordos do Novo Desenrola Brasil terminou em 31 de agosto, após uma prorrogação do prazo inicialmente estabelecido pelo governo federal.

A iniciativa buscou combinar descontos para dívidas em atraso, novas operações de crédito em condições diferenciadas e mecanismos destinados à recuperação da capacidade financeira das famílias.

Com o encerramento das renegociações, os próximos indicadores de inadimplência e comprometimento da renda ajudarão a mostrar por quanto tempo o impacto obtido pelo programa será mantido.

Micro e pequenas empresas também tiveram crédito

O conjunto de medidas de crédito também alcançou micro e pequenas empresas. Pelo Pronampe, foram realizadas cerca de 265 mil operações, que movimentaram aproximadamente R$ 37,77 bilhões.

Já o Procred registrou aproximadamente 62 mil contratos, com R$ 2,3 bilhões em operações. A linha atende microempreendedores individuais e empresas de pequeno porte com faturamento anual de até R$ 360 mil.

As iniciativas empresariais fazem parte de uma estratégia mais ampla de acesso ao crédito e reorganização financeira de pequenos negócios.

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Entenda o contexto

O Novo Desenrola Brasil foi criado em 2026 para atender famílias com renda de até cinco salários mínimos e dívidas bancárias em atraso. A iniciativa estabeleceu condições especiais de renegociação e mecanismos para reduzir o custo das pendências financeiras.

O programa permitiu renegociar dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal, além de autorizar, dentro de determinadas condições, a utilização de recursos do FGTS para amortização ou quitação dos acordos.

Entre maio e agosto, aproximadamente 10 milhões de débitos foram renegociados ou reduzidos, com desconto médio de 80%. A redução total no estoque das dívidas alcançadas pelo programa foi de R$ 22,4 bilhões.

O balanço, entretanto, ocorre em um cenário no qual o endividamento e o comprometimento da renda permanecem elevados. A evolução desses indicadores nos próximos meses será determinante para medir a duração do alívio financeiro proporcionado pelas renegociações.

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