Fernando Haddad, candidato do PT ao governo de São Paulo, afirmou nesta segunda-feira (21) que pretende começar uma eventual gestão com um pente-fino nas despesas do Estado. Segundo ele, os primeiros seis meses seriam dedicados à revisão de contratos e à redução dos gastos de custeio para abrir espaço no orçamento.
Durante entrevista, Haddad também apresentou propostas para reindustrializar São Paulo, atrair empresas estrangeiras, melhorar o ensino médio e utilizar inteligência artificial no combate ao crime.
Entenda o que aconteceu
Haddad afirmou que considera São Paulo um Estado “inchado” e com pouco caixa livre. O candidato disse que o governo teria recebido o Estado com R$ 22 bilhões em valores atualizados e estaria atualmente com cerca de R$ 5 bilhões.
Os valores foram apresentados pelo próprio candidato durante a entrevista e não são tratados nesta matéria como uma apuração independente das contas estaduais.
A partir desse diagnóstico, Haddad afirmou que pretende rever contratos e negociar com fornecedores para reduzir preços e despesas de custeio.
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Haddad quer rever contratos e cortar despesas
O candidato disse que os seis primeiros meses de uma eventual gestão serão dedicados à revisão dos contratos do governo.
A intenção, segundo Haddad, é reduzir os gastos de custeio e direcionar parte dos recursos economizados para áreas como segurança pública, educação e investimentos.
“Então nós vamos ter que sentar com os fornecedores do Estado e rever os preços que estão sendo praticados aqui no Estado de São Paulo para sobrar a despesa orçamentária, para pagar melhor o policial, pagar melhor a professora e investir mais.”
Haddad afirmou ainda que, sem uma mudança na trajetória das despesas, as contas estaduais podem ficar ainda mais pressionadas.
Candidato promete plano de reindustrialização
Outro ponto apresentado por Haddad foi a retomada da atividade industrial em São Paulo.
O candidato relacionou a proposta à entrada em vigor da reforma tributária e ao fim gradual da chamada guerra fiscal entre os estados.
Segundo Haddad, a redução dos incentivos utilizados na disputa entre estados poderia abrir espaço para São Paulo formular uma estratégia própria de atração de empresas.
Ele afirmou que pretende buscar investimentos em setores como data centers e indústria de tecnologia, além de tentar atrair empresas chinesas, americanas e europeias.
Haddad cita ensino médio como condição para atrair empresas
Para o candidato, a reindustrialização precisaria ser acompanhada de mudanças na educação.
Haddad afirmou que pretende melhorar a qualidade do ensino médio para preparar os jovens para as transformações do mercado de trabalho.
“Porque onde não tem ensino médio de qualidade, a indústria não se instala. Ela precisa de força de trabalho preparada para a revolução que está em curso.”
Ele também citou a chamada Indústria 4.0 e a necessidade de formar profissionais para atividades relacionadas às novas tecnologias.
Candidato quer rever contratos de privatizações
Haddad também afirmou que pretende revisar contratos relacionados a serviços e empresas privatizadas.
Ele citou especificamente Sabesp, CPTM e o sistema de pedágio Free Flow.
Ao justificar a proposta, Haddad mencionou reclamações sobre a Sabesp, afirmou que a CPTM teria registrado aumento de falhas e criticou o modelo de cobrança do Free Flow.
“Sabesp batendo recorde de queixa no Procon, a CPTM com 27% a mais de falhas, atestada pelo próprio governo, o Free Flow com um agravo enorme no interior.”
Haddad também criticou a combinação entre o sistema Free Flow e as praças de pedágio existentes e afirmou que, na avaliação dele, o próximo governo deveria rever esses contratos.
As afirmações sobre reclamações e falhas foram feitas pelo candidato durante a entrevista.
Segurança teria boletim de ocorrência pelo WhatsApp
Na segurança pública, Haddad voltou a defender a possibilidade de registrar boletins de ocorrência pelo WhatsApp.
Segundo o candidato, o sistema funcionaria com auxílio de inteligência artificial, que conversaria com a pessoa e solicitaria os dados necessários para registrar a ocorrência.
A proposta é fazer com que as informações cheguem rapidamente às forças de segurança.
Dados em tempo real seriam usados no patrulhamento
Haddad afirmou que o objetivo é usar os registros em tempo real para identificar onde os crimes estão acontecendo e orientar o patrulhamento da Polícia Militar e as investigações da Polícia Civil.
Na avaliação apresentada pelo candidato, a demora na obtenção desses dados deixa as forças de segurança atrás da dinâmica do crime.
Ele citou como exemplo os roubos de celulares e defendeu o cruzamento das informações para identificar deslocamentos de grupos criminosos.
Haddad cita aumento de flagrantes e prisões
Ao defender o modelo, Haddad afirmou que a identificação rápida dos locais com maior concentração de crimes poderia aumentar o número de flagrantes e prisões.
O candidato também citou o programa Celular Seguro, do governo federal, como uma ferramenta que, segundo ele, ajuda a atingir receptadores de aparelhos roubados.
Haddad defendeu ainda ações de fiscalização em pontos de entrada e saída de mercadorias para tentar atingir quem participa da cadeia de comercialização de produtos furtados ou roubados.
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Entenda o contexto
As propostas apresentadas por Haddad fazem parte da campanha ao governo de São Paulo e envolvem diferentes áreas da administração estadual.
Na economia, o candidato defende revisão de contratos, redução de despesas e um plano de reindustrialização. Na educação, relaciona a formação dos estudantes à capacidade do Estado de atrair novas empresas.
Na segurança pública, a proposta combina integração de informações, tecnologia e uso de inteligência artificial para acelerar registros e orientar o trabalho policial.
Haddad também aproveitou a entrevista para criticar a ausência de Tarcísio de Freitas em debates e sabatinas. O candidato afirmou que considera importante que os concorrentes apresentem e defendam seus trabalhos diante dos eleitores.
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