A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) começou a retirar a marca da Betano dos perfis oficiais do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil nas redes sociais. A mudança ocorre após a Medida Provisória nº 1.394 determinar o fim das atividades das casas de apostas de quota fixa no país e estabelecer um período de transição para a retirada da publicidade do setor.
A Betano detém os naming rights das duas principais competições nacionais organizadas pela CBF. Na Copa do Brasil, a empresa passou a integrar oficialmente o nome do torneio em 2023. No Brasileirão, o acordo começou em 2024.
Embora o prazo para a retirada dos sinais de patrocínio termine às 23h59 da próxima segunda-feira (5), a CBF já iniciou as mudanças. Nos perfis das competições, referências à casa de apostas começaram a desaparecer e publicações recentes da Copa do Brasil já deixaram de exibir publicidade da empresa.
Fim das bets atinge 14 clubes da Série A, mas torcedor pode continuar usando camisa com patrocinador
MP determina retirada de publicidade das bets
A Medida Provisória nº 1.394 foi publicada pelo governo federal em 25 de setembro e tem força de lei desde a publicação. O texto proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa no território nacional.
Desde a publicação da medida, novas ações de publicidade, propaganda, marketing e patrocínio do setor estão proibidas. Para materiais e sinais de patrocínio que já estavam em circulação, foi estabelecido um período de transição de dez dias.
Com isso, clubes, entidades esportivas e outras organizações que mantêm contratos com casas de apostas precisam retirar as marcas até 5 de outubro.
Primeiro jogo após MP será nesta sexta-feira
A medida foi publicada durante a Data Fifa, período em que Brasileirão e Copa do Brasil estavam sem partidas.
O Campeonato Brasileiro volta nesta sexta-feira (2), com o confronto atrasado entre São Paulo e Santos, pela 21ª rodada. Será a primeira partida das duas competições organizadas pela CBF desde a publicação da medida.
As mudanças feitas pela entidade nas redes sociais antecipam parte das adaptações que deverão aparecer também na comunicação das competições e nos espaços publicitários ligados aos torneios.
14 clubes da Série A têm bets como patrocinadoras máster
O impacto vai além dos contratos da CBF. Atualmente, 14 dos 20 clubes da Série A têm empresas de apostas como patrocinadoras máster, o que obriga as equipes a reverem uma das principais propriedades comerciais de seus uniformes.
Além das camisas, os contratos podem envolver placas nos estádios, centros de treinamento, entrevistas coletivas, conteúdos digitais e outras ações de divulgação.
Os clubes têm até o fim do período de transição previsto pela MP para retirar os sinais de patrocínio relacionados às casas de apostas.
Sites serão bloqueados a partir de 6 de outubro
A mudança na publicidade faz parte de um cronograma mais amplo para o encerramento das operações das bets no Brasil.
Os apostadores podem acessar as plataformas até as 23h59 de 5 de outubro para solicitar voluntariamente o resgate dos valores disponíveis nas contas. Desde a publicação da MP, novos aportes de dinheiro estão proibidos.
A partir da zero hora de 6 de outubro, sites e aplicativos destinados às apostas de quota fixa deverão ficar indisponíveis no país.
Os valores que permanecerem nas contas depois desse prazo deverão ser informados pelas empresas às instituições financeiras e posteriormente devolvidos aos apostadores conforme o cronograma estabelecido pelo governo.
MP ainda será analisada pelo Congresso
Apesar de já produzir efeitos, a Medida Provisória ainda será analisada pelo Congresso Nacional.
Deputados e senadores poderão manter, modificar ou rejeitar o texto durante a tramitação. Enquanto não houver mudança nas regras, permanece válido o cronograma que determina o fim da publicidade e dos patrocínios e a indisponibilização das plataformas de apostas.