Governo Lula nega visto a enviados dos EUA e vê tentativa de interferência nas eleições brasileiras

Planalto recusou entrada de dois funcionários do Departamento de Estado que pretendiam discutir o sistema eleitoral; governo vê articulação para questionar as urnas.
Redação NC News
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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) negou o pedido de visto de dois funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos que planejavam visitar o Brasil para reuniões com autoridades ligadas ao processo eleitoral. A decisão foi tomada após o Palácio do Planalto avaliar que a missão poderia representar uma tentativa de interferência em assuntos internos do país.

Segundo informações divulgadas pela imprensa, os pedidos de visto foram apresentados no dia 20 de julho e a negativa foi comunicada ao governo norte-americano no fim desta semana.

Quem são os funcionários que tiveram o visto negado?

Os vistos foram solicitados para Riley M. Barnes, secretário-adjunto, e Samuel Samson, subsecretário-adjunto do Departamento de Estado dos Estados Unidos.

A intenção da missão seria realizar encontros com autoridades brasileiras para tratar de temas relacionados ao sistema eleitoral. Também houve sondagens para reuniões com integrantes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e com o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), segundo informações divulgadas sobre o caso.

Por que o governo brasileiro negou a entrada?

De acordo com fontes do governo, a avaliação foi de que havia uma ligação entre a visita dos representantes norte-americanos e recentes manifestações de aliados de Flávio Bolsonaro questionando a segurança das urnas eletrônicas.

Na visão do Planalto, a missão poderia reforçar uma campanha para colocar em dúvida a credibilidade do processo eleitoral brasileiro.

Por esse motivo, o governo decidiu negar os vistos antes da viagem ocorrer.

Decisão ocorre em meio ao início da campanha eleitoral

A negativa acontece em um momento de intensa movimentação política, marcado pela oficialização da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.

Também neste fim de semana, o presidente da Argentina, Javier Milei, participa de compromissos políticos no Brasil, incluindo a convenção nacional do PL.

Nos bastidores, integrantes do governo afirmam ver uma articulação internacional de lideranças conservadoras em torno de críticas ao sistema eleitoral brasileiro.

O que acontece agora?

Até o momento, não houve anúncio de novas tratativas para a realização da missão norte-americana.

Também não foi informado oficialmente se o governo dos Estados Unidos pretende apresentar um novo pedido de visto ou buscar alternativas para manter o diálogo com autoridades brasileiras.

O episódio amplia a tensão diplomática entre Brasília e Washington em meio ao cenário pré-eleitoral.

Entenda o contexto

A decisão do governo brasileiro ocorre em meio ao aumento das discussões sobre o sistema eleitoral às vésperas das eleições. Nos últimos dias, aliados de Flávio Bolsonaro voltaram a levantar questionamentos sobre as urnas eletrônicas, enquanto integrantes do Planalto passaram a afirmar que existe uma articulação internacional para desgastar a confiança no processo eleitoral brasileiro. Nesse contexto, o governo decidiu negar os vistos aos representantes do Departamento de Estado por considerar que a missão poderia fortalecer esse movimento. O caso agora acrescenta um novo capítulo às relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.

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