O ministro Luis Felipe Salomão tomou posse nesta quarta-feira (19) como presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para o biênio 2026-2028. Ao seu lado, o ministro Mauro Campbell Marques assumiu a vice-presidência da corte, em uma troca de comando que ocorre em meio a cobranças crescentes por maior agilidade do Judiciário e por respostas mais rápidas a processos que impactam diretamente cidadãos, empresas e governos.
Embora a cerimônia marque a renovação da cúpula do tribunal responsável por uniformizar a interpretação da legislação federal, os novos dirigentes assumem diante de desafios que vão além da gestão interna. O STJ enfrenta a pressão de reduzir o volume de processos, acelerar decisões e fortalecer a segurança jurídica em um momento de elevada judicialização de temas econômicos, tributários e administrativos.
Durante a cerimônia, estiveram presentes os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Nunes Marques. Também participaram do evento o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre. Entre as autoridades presentes, destacou-se ainda o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski e o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, reforçando o prestígio institucional da solenidade.

Salomão chega ao comando após quase duas décadas na corte
Com mais de 30 anos de carreira na magistratura, Luis Felipe Salomão integra o STJ desde 2008. Ao longo desse período, construiu trajetória ligada principalmente ao direito privado, passando pela Quarta Turma e pela Segunda Seção, além de integrar a Corte Especial.
Nos últimos anos, ampliou sua atuação institucional. Entre 2022 e 2024 foi corregedor nacional de Justiça e, posteriormente, vice-presidente do STJ. Também exerceu funções de destaque no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde atuou na fiscalização da propaganda eleitoral durante as eleições presidenciais de 2018 e como corregedor-geral nas eleições municipais de 2020.

Especialistas costumam apontar que a experiência acumulada em diferentes áreas do Judiciário poderá ser relevante para uma corte que busca equilibrar produtividade, previsibilidade das decisões e redução do tempo de tramitação dos processos.
Tribunal enfrenta críticas por lentidão e excesso de judicialização
A posse ocorre em um contexto de crescente debate sobre a eficiência do sistema judicial brasileiro. Embora o STJ tenha papel fundamental na uniformização da interpretação das leis federais, magistrados e operadores do direito reconhecem que o excesso de recursos e a elevada litigiosidade continuam entre os principais entraves para uma prestação jurisdicional mais rápida.
O desafio da nova gestão será justamente avançar em medidas que reduzam o congestionamento processual sem comprometer a qualidade das decisões.
Além da administração da corte, Salomão deverá conduzir discussões relevantes sobre modernização do Judiciário, inteligência artificial aplicada aos tribunais e mecanismos de resolução de conflitos que evitem a judicialização excessiva.
Mauro Campbell assume vice-presidência

Natural de Manaus, Mauro Campbell Marques chega à vice-presidência após uma trajetória de mais de duas décadas no Ministério Público do Amazonas, onde foi promotor, procurador-geral e chefe da instituição por três mandatos.
No STJ, consolidou atuação em matérias de direito público, integrando a Segunda Turma e a Primeira Seção. Também exerceu funções estratégicas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam) e na Corregedoria-Geral da Justiça Federal.
Desde 2024, Campbell ocupa o cargo de corregedor nacional de Justiça, posição a partir da qual conduziu ações voltadas ao acompanhamento da atividade dos tribunais em todo o país.
Gestão será acompanhada de perto
A chegada da nova cúpula ocorre em um momento em que o Judiciário enfrenta demandas crescentes por transparência, produtividade e previsibilidade. Para além da troca de comando, a expectativa é sobre a capacidade da nova gestão de entregar resultados concretos em temas que afetam diretamente a vida dos brasileiros, desde disputas tributárias bilionárias até processos envolvendo consumidores, empresas e administrações públicas.
Mais do que uma mudança de nomes, a nova gestão assume a responsabilidade de responder a uma cobrança cada vez mais presente na sociedade: uma Justiça mais rápida, eficiente e capaz de reduzir a distância entre as decisões dos tribunais e os efeitos práticos para a população.