A última pesquisa Quaest traz um número que merece atenção na corrida presidencial: Lula aparece com 43% contra 40% de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno. Na prática, é empate técnico. A margem de erro é de dois pontos.
A comparação com 2022 ajuda a entender o tamanho da mudança. Na Quaest de julho daquele ano, Lula tinha 53% contra 34% de Jair Bolsonaro no segundo turno: uma diferença de 19 pontos. Hoje, a distância entre Lula e Flávio caiu para apenas três.
Mas existe uma diferença importante entre as duas eleições
Em 2022, o campo de centro-esquerda tinha outros nomes relevantes, como Ciro Gomes e Simone Tebet. Agora, Lula concentra praticamente todo o eleitorado competitivo da esquerda. Do outro lado, a direita chega dividida: Flávio tem 31% no primeiro turno, enquanto Caiado e Renan Santos aparecem com 4% cada, e Zema e Augusto Cury com 2%.
Isso significa que uma parcela importante do eleitorado ainda está escolhendo entre diferentes nomes do campo oposicionista. E muitos desses eleitores sequer chegaram ao momento de decidir quem apoiariam contra Lula no segundo turno.
O potencial de Flávio está realmente limitado aos 40% que aparecem hoje na pesquisa?
É impossível medir com precisão um eventual “voto oculto”. Mas o fenômeno político merece ser considerado. Em eleições muito polarizadas, parte do eleitorado pode evitar declarar publicamente sua preferência por receio de julgamento social, conflito no trabalho ou simplesmente para não revelar sua estratégia.

Foi justamente em 2022 que o bolsonarismo mostrou capacidade de chegar muito mais forte às urnas do que alguns cenários intermediários sugeriam. A eleição terminou extremamente apertada. Com Trump, nos Estados Unidos, os votos da direita também surpreenderam. E isso pode ocorrer novamente em 2026.
Cenário desconfortável para Lula
Lula é candidato que está no poder. Isso significa que a eleição não será apenas uma disputa sobre o passado. Será também um julgamento sobre o governo atual. Por isso, o dado mais importante da Quaest talvez não seja Lula estar numericamente à frente. É a distância.
Quando a diferença cai para apenas três pontos, uma eleição que parecia confortável passa a exigir muito mais atenção. Ainda faltam campanha, debates, propaganda eleitoral e, principalmente, a definição de boa parte do eleitorado.

A pesquisa é apenas uma fotografia. Mas é uma fotografia que mostra algo impossível de ignorar: Flávio ainda está atrás, mas já está perto o suficiente para incomodar Lula muito mais do que as pesquisas mostram.