Uma onda de medicamentos à base de semaglutida, as famosas canetas, deve inundar as farmácias brasileiras. O mercado brasileiro de drogas farmaceuticas aproveita o fim da patente do Ozempic no país, em março, para diversificar o portfóllio do medicamento contando com outros laboratórios que passaram a buscar o registro de versões sintéticas do princípio ativo junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A chegada de novos fabricantes pode aumentar a concorrência e, em tese, ajudar a reduzir o preço do tratamento. Mas esse efeito não é imediato: o registro pela Anvisa não significa que o produto já esteja à venda, e muitos dos medicamentos aprovados ainda dependem de etapas como definição de preço, produção e distribuição. Ao todo, a agência já registrou mais de dez opções, embora apenas parte delas esteja disponível nas farmácias.
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Entenda o que aconteceu
A primeira caneta de semaglutida sintética aprovada pela Anvisa foi a Ozivy, da EMS, registrada em maio de 2026. O medicamento utiliza o mesmo princípio ativo do Ozempic, mas é produzido por síntese química.
Depois disso, a agência aprovou novas versões. Em julho, foram registrados cinco medicamentos sintéticos: Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy e Orsema. Em agosto, a Anvisa aprovou ainda uma caneta genérica de semaglutida da EMS, sem nome comercial, e o similar Semaclique, da Germed.
No fim de agosto, outro produto da EMS, o Yluméc, também recebeu registro. A lista divulgada pela Veja Saúde reúne ainda as opções biológicas Poviztra e Extensior, que já estavam disponíveis no país e utilizam a semaglutida biológica da Novo Nordisk.
Confira a lista das canetas aprovadas
Entre as opções registradas pela Anvisa estão:
Ozivy — EMS: primeira caneta de semaglutida sintética aprovada no Brasil. É indicada para adultos com diabetes tipo 2 insuficientemente controlado. O produto é classificado como medicamento novo e tem fabricação no Brasil.
Semavy — Cosmed/Hypera Pharma: medicamento de semaglutida sintética aprovado em julho. A fabricação brasileira depende de transferência de tecnologia; inicialmente, o princípio ativo é importado.
Semaclique — Germed: medicamento similar aprovado em agosto, tendo o Ozivy como referência. A previsão informada pela Veja Saúde é de lançamento em novembro de 2026.
Semaglutida genérica — EMS: primeira versão genérica de semaglutida sintética aprovada pela Anvisa. Por ser genérico, não terá nome comercial. A chegada às farmácias ainda depende da definição do preço e do lançamento pela empresa.
Yluméc — EMS: medicamento similar aprovado pela Anvisa em 31 de agosto de 2026. A empresa ainda não havia informado preço ou data de lançamento comercial na publicação consultada.
Owozy — Ávita Care: medicamento de semaglutida sintética aprovado em julho. O registro brasileiro é da Ávita Care, enquanto a tecnologia é da Adalvo, de Malta. A chegada às farmácias estava prevista para o último trimestre de 2026.
Zempneo — Brainfarma: registrado pela Brainfarma em julho de 2026. É um medicamento novo de semaglutida sintética, com fabricação no Brasil após transferência de tecnologia.
Seemasun — Sun Farmacêutica do Brasil: recebeu registro no pacote de cinco novas canetas aprovado em julho. A empresa é a responsável pelo registro no país, mas ainda não havia confirmação de preço ou data de chegada às farmácias.
Orsema — Ranbaxy: também foi aprovado em julho e integra o grupo de cinco novos medicamentos registrados pela Anvisa naquele mês. A previsão de comercialização ainda não havia sido divulgada.
Nem todas são indicadas para emagrecimento
Um ponto importante é que registro de semaglutida não significa automaticamente aprovação para tratamento da obesidade.
As novas canetas sintéticas aprovadas pela Anvisa em 2026 foram registradas para o tratamento de adultos com diabetes mellitus tipo 2 insuficientemente controlado, como complemento à dieta e à prática de exercícios.
A indicação pode ocorrer em monoterapia quando a metformina não é apropriada por intolerância ou contraindicação, ou em associação com outros medicamentos para diabetes.
Por isso, o consumidor não deve considerar que qualquer caneta de semaglutida aprovada possa ser utilizada livremente para emagrecimento. A indicação depende do registro específico e da avaliação médica.
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Preços podem mudar com a chegada dos genéricos
A entrada de novos fabricantes tende a aumentar a concorrência no mercado. A expectativa é que a maior oferta possa contribuir para a redução dos preços, embora o valor final dependa de fatores como apresentação, fabricante, tributação, distribuição e definição do preço máximo pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).
A própria Veja Saúde aponta que os tratamentos com semaglutida podem atualmente representar um custo elevado para os pacientes, enquanto as novas versões nacionais chegam ao mercado com a promessa de ampliar o acesso.
Uso exige receita médica
As canetas de semaglutida sintética estão sujeitas à prescrição médica em duas vias. A regra vale para os medicamentos da classe dos agonistas do receptor de GLP-1.
Além disso, a Anvisa alerta para os riscos associados ao uso inadequado desses medicamentos. A orientação é utilizar somente produtos regularizados e seguir a indicação e a dose prescritas por profissional de saúde.
Entenda o contexto
A expansão das canetas de semaglutida no Brasil ganhou força depois que a patente do Ozempic expirou em 20 de março de 2026. A partir disso, empresas passaram a disputar o mercado com medicamentos sintéticos que utilizam a mesma molécula ativa.
A Anvisa afirma que acelerou a análise de pedidos de medicamentos à base de semaglutida e liraglutida após uma iniciativa do Ministério da Saúde voltada à ampliação do acesso, ao abastecimento do mercado nacional e ao fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde.
A agência também destaca que o registro de medicamentos envolve avaliação técnica, incluindo estudos clínicos, análise documental e inspeção da linha de produção.
Apesar do crescimento da oferta, os medicamentos não devem ser utilizados por conta própria. A escolha do produto, da dose e da indicação precisa considerar o quadro clínico e a orientação de um profissional de saúde.
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