A crise entre a Polícia Federal e o Supremo Tribunal Federal ganhou mais um capítulo nesta quarta-feira (10). Enquanto integrantes da cúpula da PF manifestaram apoio público a Andrei Rodrigues, delegados da corporação adotaram uma postura mais cautelosa e decidiram não aderir a uma nova carta de apoio ao diretor-geral.
A estratégia, segundo informações de bastidores, busca evitar que a reação interna da Polícia Federal seja interpretada como um confronto direto com o STF, justamente no momento em que ministros da Corte tentam reorganizar as decisões envolvendo a direção da corporação.
Na terça-feira (8), onze diretores da PF haviam divulgado uma manifestação de apoio a Andrei e ao diretor de Inteligência, Leandro Almada. Os dois tinham sido afastados preventivamente por decisão do ministro André Mendonça.
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Cúpula da PF já havia feito gesto de apoio
Na manifestação divulgada pela direção da Polícia Federal, os onze diretores afirmaram ter confiança na trajetória profissional de Andrei e Leandro. Os dirigentes também colocaram seus próprios cargos à disposição do diretor-geral interino, William Marcel Murad.
O gesto ocorreu depois que Mendonça determinou o afastamento dos dois delegados, alegando suspeitas relacionadas a um suposto monitoramento ilegal de sua atuação e da atuação do advogado-geral da União.
A manifestação da cúpula, entretanto, não significou uma adesão geral de todos os delegados da instituição. A decisão de não ampliar o movimento mostra a preocupação de setores da corporação com as consequências institucionais de um enfrentamento aberto com o Supremo.

Andrei voltou ao comando da PF após decisão de Dino
Na quarta-feira (9), o ministro Flávio Dino determinou a reintegração de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal. A decisão também alcançou Leandro Almada.
Dino apontou possíveis problemas processuais na decisão anterior de Mendonça e afirmou que determinadas questões relacionadas ao afastamento deveriam ser analisadas por outras instâncias do Supremo.
A decisão de Dino aconteceu depois de a Segunda Turma do STF formar maioria provisória para manter o afastamento determinado por Mendonça. O julgamento, porém, foi interrompido após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.
Fachin suspendeu as decisões de Mendonça e Dino
A disputa ganhou uma nova reviravolta quando o presidente do STF, Edson Fachin, decidiu suspender as decisões conflitantes de Mendonça e Dino sobre o comando da Polícia Federal.
Fachin manteve Andrei Rodrigues à frente da PF e determinou que ele apresente esclarecimentos sobre sua permanência no cargo. O ministro justificou a intervenção pela existência de decisões sobre fatos parcialmente coincidentes, situação que, segundo ele, poderia provocar insegurança jurídica e conflito institucional.
Fachin também retirou de Alexandre de Moraes a relatoria do inquérito das fake news e determinou que novas investigações envolvendo ministros do Supremo sejam centralizadas na presidência da Corte.
A decisão ocorre no mesmo momento em que o STF enfrenta uma crise interna provocada por divergências entre ministros e por investigações relacionadas ao caso Banco Master.

Delegados evitam transformar crise em disputa institucional
A opção de parte dos delegados por não assinar uma carta pública de apoio a Andrei representa uma tentativa de preservar a imagem institucional da Polícia Federal sem ampliar o conflito com o Supremo.
A corporação ficou diretamente envolvida na crise depois que relatórios de inteligência produzidos internamente foram utilizados na disputa entre Mendonça e integrantes da PF.
Ao mesmo tempo, a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal criticou o afastamento determinado por decisão individual e defendeu o respeito aos procedimentos legais.
O cenário deixa a PF em uma posição delicada: de um lado, há manifestações de solidariedade a Andrei dentro da própria instituição; de outro, existe a preocupação de que uma mobilização mais ampla seja interpretada como insubordinação ou confronto com o Poder Judiciário.
Crise ainda está longe de terminar
A situação permanece em aberto porque diferentes decisões tomadas nos últimos dias ainda precisam ser analisadas pelo Supremo.
Além da disputa sobre o comando da Polícia Federal, a Corte terá de avaliar os desdobramentos dos relatórios de inteligência que deram origem ao conflito e as acusações apresentadas contra integrantes da corporação.
O STF marcou uma sessão extraordinária para 15 de setembro, quando deverá analisar questões relacionadas ao relatório da PF e ao pedido da Procuradoria-Geral da República para que o documento seja considerado nulo.
O episódio ocorre em meio à crise envolvendo Alexandre de Moraes, André Mendonça, Flávio Dino e Edson Fachin, com diferentes decisões sobre investigações e o funcionamento da própria Polícia Federal.

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A crise começou a ganhar força após André Mendonça determinar o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues e Leandro Almada da Polícia Federal. O ministro sustentou que os dois estariam relacionados a um suposto monitoramento ilegal de sua atuação. A decisão provocou reação dentro da PF: onze diretores da corporação divulgaram uma carta de apoio aos dois delegados e colocaram seus cargos à disposição.
Em seguida, Flávio Dino determinou a reintegração de Andrei e Almada, apontando problemas processuais na decisão anterior. Edson Fachin, presidente do STF, posteriormente suspendeu as decisões de Mendonça e Dino, manteve Andrei no comando da PF e centralizou na presidência da Corte questões envolvendo investigações contra ministros do Supremo.
Paralelamente, delegados da PF evitaram aderir a uma nova carta pública de apoio ao diretor-geral, numa tentativa de não transformar a crise em um confronto institucional mais amplo. O caso continua em análise e envolve também o inquérito das fake news, relatórios de inteligência da PF e os desdobramentos da investigação relacionada ao Banco Master.
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