O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master, tem depoimento marcado para a próxima terça-feira (15) na Polícia Federal. A oitiva ocorre em meio ao avanço das investigações sobre as operações do banco e as relações mantidas por Vorcaro com empresários, servidores públicos e autoridades.
A defesa, porém, avalia pedir novamente o adiamento do depoimento. A estratégia já foi utilizada anteriormente e acabou postergando uma oitiva que estava prevista para agosto. Em 27 de agosto, um novo depoimento também precisou ser remarcado após problemas técnicos.
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Defesa pode tentar novo adiamento
O depoimento de Vorcaro é considerado uma etapa importante para o avanço das apurações da PF. A investigação busca esclarecer a atuação do ex-banqueiro na estrutura que envolvia o Banco Master e seus negócios com outras instituições.
A defesa, no entanto, pode tentar impedir que a oitiva aconteça na data prevista. O argumento e os eventuais motivos para um novo pedido de adiamento ainda dependem da manifestação formal dos advogados.
Os sucessivos adiamentos já provocaram preocupação com o cronograma da investigação. A expectativa anterior era de que uma das frentes do inquérito fosse concluída até o fim de agosto, mas as mudanças nas datas dos depoimentos acabaram postergando o encerramento.
Investigação envolve Banco Master e Banco Central
Uma das frentes investigadas pela Polícia Federal envolve a relação de Vorcaro com antigos integrantes do Banco Central.
Os ex-servidores Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização do BC, e Belline Santana, ex-chefe de supervisão da instituição, são investigados por suposta atuação em favor dos interesses do Master.
A PF apura se os dois mantiveram uma relação próxima com Vorcaro e se houve eventual recebimento de vantagens indevidas em troca de informações ou favorecimentos.
O caso também levou a Polícia Federal a intimar o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, o ex-presidente Roberto Campos Neto e o empresário André Esteves, do BTG Pactual, para prestarem depoimento como testemunhas.
BRB também está no centro das apurações
As investigações alcançam ainda as operações realizadas entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).
A negociação envolvendo as duas instituições foi uma das principais operações que antecederam a crise do Master. A PF e outros órgãos investigam a origem e a qualidade dos ativos envolvidos nos negócios e os procedimentos adotados pelos responsáveis.
O BRB chegou a anunciar a compra do Banco Master, mas a operação acabou não avançando. Posteriormente, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master.
A dimensão das operações fez com que o relacionamento entre Vorcaro e integrantes do sistema financeiro passasse a ser analisado dentro de diferentes frentes investigativas.
Vorcaro também aparece em documentos recentes
Nos últimos dias, novos documentos da Polícia Federal ampliaram o conhecimento sobre a atuação de Vorcaro antes de sua prisão.
Mensagens e anotações encontradas no celular do ex-banqueiro indicam que ele teria recebido informações antecipadas sobre a operação que acabou levando à sua prisão em novembro de 2025.
Segundo os documentos, Vorcaro tinha conhecimento de detalhes da investigação e chegou a manter contatos com pessoas ligadas ao Banco Central e outros interlocutores antes da operação. A PF interpreta parte dessas movimentações como possível preparação para deixar o país.
A defesa de Vorcaro contesta essa interpretação e sustenta que a viagem planejada tinha finalidade empresarial.
Caso Master mergulha em crise institucional
O depoimento ocorre em um momento de forte tensão envolvendo o caso Master e o Supremo Tribunal Federal.
Documentos tornados públicos nas últimas semanas trouxeram informações sobre contatos de Vorcaro com ministros da Corte e autoridades de diferentes áreas. O material provocou uma disputa interna no STF sobre a extensão dos sigilos e a forma como os documentos devem ser analisados e divulgados.
Alexandre de Moraes, por exemplo, pediu ao presidente do Supremo, Edson Fachin, que todos os documentos que ainda possam ser divulgados tenham o sigilo retirado. O ministro criticou o que classificou como uma disponibilização seletiva das provas.
Ao mesmo tempo, o caso envolve outras frentes, incluindo a investigação sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, que levou Flávio Bolsonaro à condição de investigado em um inquérito conduzido no STF.
O que a PF quer saber
A oitiva de Vorcaro poderá ajudar os investigadores a confrontar informações obtidas em documentos, mensagens e depoimentos de outros envolvidos.
Entre os pontos de interesse estão as relações do ex-banqueiro com integrantes do Banco Central, as operações envolvendo o Master e o BRB e eventuais vantagens que teriam sido oferecidas a agentes públicos.
O depoimento também poderá esclarecer a versão de Vorcaro sobre sua atuação nos negócios que antecederam a liquidação do banco.
Até o momento, as investigações continuam em andamento. A existência de suspeitas ou a presença de nomes em documentos apreendidos não significa, por si só, comprovação de crime ou responsabilidade.
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ENTENDA O CONTEXTO
O Banco Master entrou no centro de uma das maiores investigações financeiras dos últimos anos após a descoberta de irregularidades que levaram à liquidação da instituição. Daniel Vorcaro, antigo controlador do banco, passou a ser investigado em diferentes frentes da Polícia Federal, que analisam operações financeiras, relações com integrantes do Banco Central, negócios com o BRB e possíveis contatos com autoridades.
A investigação ganhou uma dimensão ainda maior após a apreensão de mensagens e documentos que revelaram a rede de relações mantida pelo ex-banqueiro. Agora, o depoimento previsto para terça-feira pode representar uma nova etapa da apuração. Caso a defesa não consiga um novo adiamento, Vorcaro deverá prestar esclarecimentos diretamente aos investigadores sobre pontos que permanecem sob investigação.
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