Flávio Bolsonaro defende fim dos sigilos do caso Master e pede investigação de Dino

Candidato à Presidência diz que documentos devem ser divulgados integralmente e questiona atuação do ministro do STF em operação ligada ao filme “Dark Horse”
Redação NC News
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O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) defendeu nesta sexta-feira (11) o fim dos sigilos que ainda envolvem as investigações do caso Banco Master e afirmou que o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), também deveria ser investigado.

A declaração ocorre em meio à crescente crise envolvendo o STF, após a divulgação de documentos sobre as relações do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com autoridades, políticos e integrantes dos Três Poderes. Flávio, por sua vez, também é investigado no Supremo por sua participação nas negociações para o financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre seu pai, Jair Bolsonaro.

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Flávio cobra transparência

Durante agenda em Manaus, o senador defendeu que o conteúdo das investigações seja disponibilizado de forma ampla. Para Flávio, a abertura dos documentos permitiria que a sociedade conhecesse integralmente as relações financeiras e políticas investigadas no caso Master.

A manifestação ocorre depois de o presidente do STF, Edson Fachin, pedir a ampliação da publicidade dos documentos relacionados ao caso. O ministro André Mendonça, relator da investigação, retirou parcialmente o sigilo de procedimentos, mas manteve sob reserva informações consideradas sensíveis para o andamento das apurações.

Flávio afirmou que não teme a divulgação das informações relacionadas à sua própria investigação e sustentou que a transparência pode servir para esclarecer sua participação no financiamento do filme.

Pedido envolve Flávio Dino

O candidato também passou a questionar diretamente a atuação de Flávio Dino.

A manifestação ocorre após uma operação da Polícia Federal autorizada por Dino para investigar suspeitas de uso irregular de emendas parlamentares na produção de “Dark Horse”. A operação, realizada na quinta-feira (10), teve como alvos o deputado federal Mario Frias (PL-SP), a produtora Karina Gama e outras pessoas ligadas à produção do longa. Foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão.

A investigação autorizada por Dino é distinta do inquérito que apura a relação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro e o financiamento do filme por meio de recursos associados ao Banco Master.

Flávio não foi alvo dos mandados da operação realizada em 10 de setembro. A investigação que o envolve diretamente foi aberta anteriormente pelo ministro André Mendonça, a pedido da Polícia Federal.

O que está sendo investigado

O inquérito conduzido no STF apura a negociação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro para o financiamento de “Dark Horse”.

Segundo documentos divulgados no âmbito da investigação, Flávio teria negociado diretamente com Vorcaro um repasse de US$ 24 milhões para a produção. Desse valor, ao menos US$ 12,3 milhões teriam sido efetivamente pagos. A apuração busca esclarecer a origem, o destino e a natureza dos recursos.

A investigação considera suspeitas relacionadas a crimes como corrupção e lavagem de dinheiro. A existência do inquérito, porém, não significa que Flávio tenha sido condenado ou que as suspeitas tenham sido comprovadas.

O senador nega irregularidades e sustenta que a negociação foi privada.

Operação coloca Dino no centro da crise

A atuação de Dino aumentou a tensão política em torno do caso porque a operação da PF atingiu pessoas ligadas à produção de “Dark Horse”, justamente no momento em que documentos sobre as relações de Vorcaro com autoridades passaram a ser divulgados.

O ministro autorizou a retirada do sigilo da decisão que permitiu a operação e determinou medidas contra investigados, entre elas restrições impostas a Mario Frias. A PF apura suspeitas de desvio de recursos públicos e possível triangulação envolvendo emendas parlamentares destinadas ao Instituto Conhecer Brasil.

Segundo as informações divulgadas sobre a operação, a investigação apura se parte de recursos públicos destinados ao instituto acabou relacionada à produção do filme. Frias nega irregularidades.

Caso Master amplia crise no STF

A disputa em torno dos sigilos acontece em um dos momentos mais delicados do caso Banco Master.

Documentos recentemente tornados públicos trouxeram informações sobre relações de Vorcaro com ministros do STF, ex-integrantes do Banco Central e políticos. Entre os nomes que aparecem nas apurações estão Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Flávio Bolsonaro.

A divulgação parcial dos documentos também provocou uma disputa dentro do próprio Supremo sobre quais informações devem permanecer protegidas e quais podem ser disponibilizadas aos ministros e ao público.

Moraes já criticou o que classificou como divulgação seletiva dos documentos e defendeu a retirada do sigilo de todo o material que possa ser legalmente tornado público.

Flávio diz não temer divulgação

Ao defender a abertura dos documentos, Flávio tenta colocar a transparência no centro da discussão sobre o caso.

O senador afirma que a divulgação integral permitirá esclarecer sua relação com Vorcaro e afastar suspeitas sobre o financiamento de “Dark Horse”. Ao mesmo tempo, cobra que o mesmo padrão de publicidade seja aplicado às investigações que envolvem outros personagens do caso.

A posição ocorre durante a campanha presidencial, na qual Flávio aparece como um dos principais candidatos e disputa diretamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A investigação sobre o caso Master, portanto, passou a ter também forte repercussão eleitoral.

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Entenda o contexto

O Banco Master tornou-se alvo de uma ampla investigação depois que a Polícia Federal passou a apurar suspeitas envolvendo Daniel Vorcaro, ex-controlador da instituição. A investigação avançou sobre possíveis relações financeiras e institucionais mantidas pelo banqueiro com autoridades, empresários e políticos.

A divulgação de documentos colocou o Supremo Tribunal Federal no centro da crise, principalmente após surgirem informações sobre contatos de Vorcaro com ministros da Corte. Ao mesmo tempo, Flávio Bolsonaro passou a ser formalmente investigado por sua relação com o financiamento de “Dark Horse”, enquanto uma investigação distinta autorizada por Flávio Dino apura possíveis irregularidades envolvendo recursos públicos destinados à produção do filme.

O caso permanece em fase de investigação e as suspeitas ainda dependem da análise das autoridades responsáveis.

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