Vorcaro diz que avisou BC sobre solução para vender Master antes de ser preso

Ex-banqueiro afirmou que comunicou ao Banco Central, na manhã de 17 de novembro de 2025, que havia encontrado uma saída para a venda da instituição; prisão ocorreu no mesmo dia.
Redação NC News
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O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou que avisou o Banco Central (BC) que havia encontrado uma “solução” para a venda do Banco Master na manhã de 17 de novembro de 2025, horas antes de ser preso. Segundo o relato, o primeiro contrato relacionado à negociação já estava sendo protocolado no órgão.

A declaração foi dada durante uma oitiva realizada em agosto deste ano e veio a público após a retirada do sigilo de informações do caso Master. Vorcaro também relatou ter viajado pelo menos três vezes aos Emirados Árabes Unidos em busca de investidores privados depois que a compra do Master pelo BRB foi rejeitada, em setembro de 2025.

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Entenda o que aconteceu

Segundo Vorcaro, depois que o Banco Central rejeitou a operação de compra do Master pelo BRB, foi apresentado ao órgão um pedido para que uma nova solução fosse estruturada em até 180 dias.

O ex-banqueiro afirmou, porém, que conseguiu estruturar uma alternativa em aproximadamente dois meses. O plano previa a negociação do banco em três blocos. O contrato referente ao primeiro deles já estaria preparado, enquanto os outros dois seriam concluídos durante uma viagem que Vorcaro pretendia fazer.

“No dia 17 de novembro, eu aviso pela manhã o Banco Central que eu arrumei uma solução.”

Vorcaro acrescentou que estava protocolando o primeiro contrato e pretendia viajar naquela noite para apresentar, nos dois dias seguintes, os outros dois documentos que completariam a solução para a venda do Master.

Venda foi anunciada no dia da prisão

No mesmo 17 de novembro de 2025, a Fictor Holding Financeira e um consórcio de investidores dos Emirados Árabes Unidos anunciaram a compra do Banco Master.

O negócio ainda dependia da aprovação do Banco Central e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A proposta previa um aporte imediato de R$ 3 bilhões para fortalecer a estrutura de capital do Master.

Vorcaro afirmou que comunicou ao Banco Central uma solução para a venda do Master no mesmo dia em que acabou preso.

Liquidação ocorreu no dia seguinte

A tentativa de venda não avançou. Em 18 de novembro, um dia depois da prisão de Vorcaro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master.

A medida ocorreu após a prisão do banqueiro e diante de informações da investigação da Polícia Federal sobre suspeitas de fraudes envolvendo a instituição financeira. Com a liquidação, as tratativas para a venda foram interrompidas.

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Vorcaro buscou investidores nos Emirados Árabes

No depoimento, Vorcaro afirmou ter feito ao menos três viagens aos Emirados Árabes Unidos em busca de investidores privados interessados no banco.

As negociações ocorreram depois da negativa à operação envolvendo o BRB. O empresário sustentou que a alternativa encontrada posteriormente permitiria concluir a venda do Master por meio dos três blocos apresentados em seu relato às autoridades.

Entenda o contexto

Os novos detalhes vieram a público depois que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu a uma solicitação do presidente da Corte, Edson Fachin, para retirar o sigilo do caso Banco Master na noite de quinta-feira (10).

A divulgação dos documentos permite conhecer novos trechos de depoimentos e elementos reunidos durante as investigações. As declarações sobre a tentativa de venda representam a versão apresentada por Vorcaro às autoridades e não significam, por si só, conclusão sobre as suspeitas investigadas no caso.

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