A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), uma das principais defensoras do fim da escala de trabalho 6×1 e pré-candidata à reeleição, criticou a atuação do Senado pela falta de avanço da proposta que reduz a jornada de trabalho no país.
Em entrevista exclusiva ao NC News, a parlamentar afirmou que a Casa “virou as costas” aos trabalhadores ao não colocar a matéria em votação e disse esperar que o tema influencie o voto dos eleitores nas eleições deste ano.
Além da cobrança ao Senado, Erika também respondeu às críticas que recebeu após tornar pública uma divergência com a direção nacional do PSOL sobre a distribuição do fundo eleitoral, negando que tenha tentado se sobrepor ao partido e defendendo que acordos políticos precisam ser respeitados.
“O Senado virou as costas aos trabalhadores”
Autora da proposta que deu origem ao debate nacional sobre o fim da escala 6×1, Erika afirmou que a paralisação da matéria demonstra, na avaliação dela, que o Senado priorizou interesses empresariais em detrimento dos trabalhadores.
“É lamentável, porque demonstra que o Congresso Nacional, na figura do Senado, tem mais compromissos com os interesses do setor empresarial do que com a vida da classe trabalhadora brasileira”, afirmou.
Segundo a deputada, a aprovação do texto na Câmara dos Deputados exigiu intensa articulação política e negociações de bastidores para viabilizar a proposta.
Ela afirmou que esperava que o Senado desse continuidade ao processo, mas considera que a tramitação foi interrompida de forma injustificada.
Para Erika, o debate vai além da jornada de trabalho e envolve qualidade de vida, descanso e convivência familiar.
“Nós estamos falando de direito à vida, de direito ao descanso e de dignidade para quem faz a economia brasileira funcionar”, declarou.
O que aconteceu com a proposta?
A proposta que altera a jornada de trabalho ganhou força após ampla mobilização popular e foi aprovada pela Câmara dos Deputados. Desde então, aguarda análise do Senado, onde ainda não avançou na pauta de votações. Erika Hilton vem criticando publicamente o atraso e já havia acusado a Casa de tentar retardar ou enfraquecer a tramitação da proposta.
Na entrevista ao NC News, ela voltou a afirmar que o adiamento não impedirá a continuidade da mobilização.
“Podem protelar, podem fazer as manobras que quiserem. A escala 6×1 no Brasil está contada.”
A parlamentar disse acreditar que a pressão social continuará crescendo independentemente do calendário do Congresso.
“Os trabalhadores vão lembrar disso nas eleições”
Erika também relacionou o impasse legislativo ao cenário eleitoral.
Na avaliação da deputada, os trabalhadores deverão considerar a atuação dos parlamentares quando forem às urnas.
“Espero que o eleitor reconheça essa virada de costas que o Senado brasileiro deu aos trabalhadores.”
A declaração reforça a estratégia da parlamentar de transformar o debate sobre a jornada de trabalho em um dos principais temas da campanha eleitoral de 2026.
Erika responde críticas após disputa sobre o fundo eleitoral
A deputada também comentou a repercussão das críticas que fez à direção nacional do PSOL sobre a distribuição dos recursos do fundo eleitoral.
Em junho de 2026, Erika acusou publicamente a direção partidária de descumprir acordos internos relacionados aos critérios de divisão das verbas de campanha e denunciou o que chamou de privilégio branco e cis na divisão de recursos eleitorais, citando diretamente os repasses previstos para a pré-candidatura de Manuela D’Ávila ao Senado pelo Rio Grande do Sul. . As declarações provocaram reação de dirigentes do partido e abriram um debate interno sobre a distribuição da verba.
O presidente da federação PSOL-Rede, Juliano Medeiros, afirmou que os critérios adotados seguiram as regras previamente estabelecidas, enquanto outras lideranças, como Guilherme Boulos, disseram considerar legítimas as críticas feitas pela deputada.
Questionada pelo NC News sobre as críticas de que estaria tentando se colocar acima do partido, Erika rejeitou essa interpretação.
“Eu nunca quis ser maior do que o partido. O partido me acolhe, me possibilita e eu ajudo a construir.”
Ela afirmou, porém, que considera essencial que acordos políticos sejam cumpridos.
“Eu sou uma mulher de palavra e acho que a política é feita de palavra. Quando os acordos são rompidos e a gente não consegue resolver isso internamente, é preciso colocar essa discussão em público.”
Segundo a deputada, a repercussão das declarações ocorreu porque sua atuação nacional amplia o alcance de suas posições políticas.
O que acontece agora?
A proposta sobre o fim da escala 6×1 segue aguardando definição sobre sua tramitação no Senado. Ainda não há um calendário oficial para análise da matéria, tema que continua mobilizando sindicatos, entidades empresariais e parlamentares favoráveis e contrários à mudança.
No campo político, a discussão sobre a distribuição do fundo eleitoral também permanece em evidência dentro do PSOL, após expor divergências entre parte da bancada e a direção nacional da legenda.
ENTENDA O CONTEXTO
A proposta que prevê o fim da escala 6×1 se tornou uma das principais bandeiras de Erika Hilton desde o início de sua tramitação na Câmara dos Deputados ao lado de Rick Azevedo, conhecido por criar o projeto VAT – Vida além do Trabalho. Após a aprovação pelos deputados, o texto passou a depender da análise do Senado, onde permanece sem definição sobre votação.
Paralelamente, a deputada protagonizou um embate interno no PSOL ao questionar publicamente a distribuição do fundo eleitoral para as eleições de 2026. O episódio gerou manifestações de dirigentes partidários e de aliados, ampliando o debate sobre os critérios de divisão dos recursos e sobre o funcionamento interno da legenda às vésperas da campanha eleitoral.