Lula, Moraes e Alcolumbre teriam discutido em jantar como enfraquecer Mendonça no STF

Encontro reservado na casa de Alexandre de Moraes teria discutido a atuação de André Mendonça em investigações que envolvem Lulinha, Banco Master e o entorno de Flávio Bolsonaro
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Relator do inquérito que apura o escândalo dos descontos indevidos no INSS, caso que já colocou sob investigação Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, Mendonça também comanda a apuração sobre o Banco Master, que aproximou o senador Flávio Bolsonaro do banqueiro foragido Daniel Vorcaro e joga sombra sobre o financiamento do filme Dark Horse, produção sobre o pai do candidato.

Foi esse cruzamento que, segundo apurou o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, motivou um jantar reservado que juntou nomes de peso em Brasília para discutir o próprio ministro.

O encontro aconteceu no início de agosto, na casa de Alexandre de Moraes, e reuniu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, fora da agenda oficial.

O pretexto declarado era reaproximar os dois políticos, afastados desde a derrota do nome de Jorge Messias na sabatina para o STF. Segundo o colunista, porém, a conversa avançou para outro tema: como reduzir a influência de Mendonça justamente nos processos que mais pesam sobre a corrida eleitoral.

Nenhum dos participantes confirmou publicamente o teor do encontro.

Mendonça incomoda os dois lados

A hipótese que circula entre interlocutores próximos ao ministro é a de que ele se tornou incômodo demais para seguir intocado.

No caso do INSS, Mendonça já autorizou mais de um inquérito contra Lulinha, o mais recente sobre uma possível atuação do filho do presidente junto à Dataprev.

No caso do Banco Master, é sob a relatoria dele que tramitam as investigações sobre o rastro de recursos que teriam saído do banco de Vorcaro para financiar a produção ligada à candidatura de Flávio Bolsonaro.

 

STF entra cada vez mais no jogo político

Nos bastidores de Brasília, o episódio é lido como sintoma de um movimento mais amplo.

Depois de Moraes e Flávio Dino defenderem, na mesma semana, a retomada da discussão sobre a obrigatoriedade do diploma de jornalista, cresceu entre interlocutores da capital federal a avaliação de que o Supremo tem oscilado entre a função de guardião técnico da Constituição e a de ator direto do jogo eleitoral.

Um ministro capaz de acelerar ou travar dois dos inquéritos mais explosivos do ciclo, a poucas semanas do primeiro turno, dificilmente escaparia dessa leitura.

 

Uma estratégia que pode sair pela culatra

Se o jantar realmente tratou de enfraquecer Mendonça — e isso segue sem confirmação oficial dos envolvidos —, a estratégia é discutível.

Mexer com um ministro que já demonstrou disposição para autorizar investigações dentro do próprio entorno do governo tem tanto potencial de render dividendos quanto de sair pela culatra.

Na política, gesto não sai de graça. E, numa eleição apertada como esta, qualquer movimento em torno do Supremo tende a ser lido como parte do jogo, não como acaso.

Carregar Comentários