O Tribunal Superior Eleitoral homologa hoje o registro de 13 candidaturas à Presidência da República e consolida o quadro da disputa de 2026. O nome de Pablo Marçal (PRTB), porém, segue em suspenso, preso a uma condenação por oito anos de inelegibilidade que ainda aguarda desfecho em Brasília.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Edmilson Costa (PCB), Rui Costa Pimenta (PCO), Hertz Dias (PSTU) e Samara Martins (UP) estão entre os candidatos já liberados para fazer campanha. A indefinição sobre Marçal expõe um ponto sensível do processo eleitoral: o limite entre liberdade de comunicação digital e fraude nas regras do jogo.
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Condenação por mídia digital e liminar para se manter no páreo
A situação de Pablo Marçal nasce de uma estratégia de campanha usada na eleição para a prefeitura de São Paulo em 2024. A Justiça Eleitoral paulista conclui que ele promoveu o chamado “concurso de cortes”, em que seguidores eram remunerados para produzir e espalhar trechos de seus vídeos nas redes sociais.
Para o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, a prática cria uma rede artificial de disseminação massiva de conteúdo em benefício da candidatura. A corte entende que isso configura “uso indevido dos meios de comunicação”, uma das hipóteses mais graves de abuso de poder previstas na legislação eleitoral.
Em dezembro de 2025, o tribunal paulista mantém a condenação a 8 anos de inelegibilidade por 4 votos a 3 e aplica multa de R$ 420 mil. A decisão projeta a inelegibilidade de Marçal até 2032, na prática afastando o empresário do jogo político por dois ciclos nacionais.
Em agosto, o TRE-SP rejeita por unanimidade os embargos apresentados pela defesa e encerra a discussão no âmbito do tribunal regional. Em 21 de agosto, o presidente da corte estadual, desembargador José Antonio Encinas Manfré, nega o envio do recurso especial ao TSE, o que força os advogados de Marçal a buscar caminhos internos para levar o caso a Brasília.
BRASÍLIA mantém candidatura pendente e cenário eleitoral em alerta
A condenação não impede a defesa de tentar brechas para manter o nome de Marçal vivo na disputa. Em 15 de agosto de 2026, o juiz Gustavo Nardi, da 428ª Zona Eleitoral de Santana de Parnaíba (SP), concede liminar que determina a regularização provisória da filiação de Marçal ao PRTB. A decisão abre a porta para o pedido de registro da candidatura presidencial.
Com a liminar, o empresário obtém o mínimo necessário para entrar na fila dos registros no TSE, mesmo carregando a inelegibilidade confirmada em São Paulo. O tribunal superior, porém, opta por um meio-termo: homologa as demais candidaturas e mantém a de Marçal pendente de julgamento de mérito.
O nome do ex-coach aparece ativo no portal oficial de divulgação de candidaturas e contas eleitorais, o DivulgaCandContas. A presença na lista, no entanto, não significa autorização definitiva para disputar. A campanha, se avançar, terá de ser feita sob o rótulo de sub judice, dependente de uma decisão que pode tirá-lo do páreo a qualquer momento.
Nos bastidores, partidos e núcleos de campanha observam com atenção o desfecho. Marçal constrói nos últimos anos uma base de seguidores nas redes e se apresenta como outsider, com discurso crítico à política tradicional. Sua presença ou ausência no pleito mexe com cálculos de candidatos que disputam o mesmo eleitorado antipolítica e evangélico, em especial à direita.
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Quem ganha e quem perde com o impasse
O impacto prático da pendência vai além da trajetória individual de Pablo Marçal. Para o PRTB, a incerteza trava a estratégia nacional: o partido sustenta a candidatura, mas precisa de um plano B instantâneo se o TSE mantiver a inelegibilidade. A legenda teria de correr para registrar um substituto dentro dos prazos legais, em um cenário já ocupado por nomes mais conhecidos.
Outros candidatos monitoram o caso de perto. Uma candidatura de Marçal competitiva, ainda que limitada, pode fragmentar votos em nichos digitais e religiosos e pressionar campanhas que buscam se firmar como alternativa ao petismo e ao bolsonarismo. A retirada do empresário, por outro lado, tende a concentrar esse eleitorado em nomes já estabelecidos.
Para a Justiça Eleitoral, o processo vira teste de fogo na regulação do uso de redes sociais em campanha. O “concurso de cortes” coloca em xeque a fronteira entre engajamento orgânico e rede patrocinada de militância digital. A decisão final do TSE tende a servir de referência para futuras eleições, inclusive municipais.
Juristas e políticos veem nesse julgamento um sinal de como o tribunal pretende lidar com estratégias pagas de amplificação de conteúdo que escapam à publicidade tradicional. A mensagem pode ser dura, para coibir práticas semelhantes, ou mais flexível, abrindo espaço para novas formas de campanha digital.
Eleitor encara lista provisória e aguarda TSE
O eleitor acompanha hoje uma disputa que ainda não está totalmente desenhada. A homologação de 13 candidaturas oferece um quadro relativamente estável, mas a indefinição sobre Marçal provoca dúvidas simples: quem, afinal, estará na urna no dia da votação?
O TSE promete análise definitiva da situação de Pablo Marçal nos próximos dias. Até lá, a campanha se move em terreno movediço. Pesquisas, alianças e tempo de TV são planejados considerando cenários com e sem o empresário na corrida.
Se o tribunal mantiver a inelegibilidade, o nome de Marçal deve ser retirado do pleito, e o PRTB terá pouco tempo para reorganizar sua estratégia nacional. Se o TSE reformar a decisão do TRE-SP, o empresário ganha fôlego político imediato e se fortalece como símbolo da disputa sobre o poder das redes na política.
O caso se insere em um momento em que o país discute transparência e integridade eleitoral em ambiente digital. A decisão que o TSE toma agora não define apenas o futuro de um candidato, mas também o tipo de campanha que o Brasil admite nas próximas eleições.
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