51,6% dizem que ministros do STF decidem mais por interesse próprio do que pela lei

Levantamento Meio/Ideia também mostra que 49,7% dos entrevistados têm pouca ou nenhuma confiança no Supremo Tribunal Federal
Redação NC News
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Mais da metade dos eleitores brasileiros avalia que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) tomam decisões mais baseadas em interesses próprios do que na legislação. É o que aponta uma pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quarta-feira (9).

Segundo o levantamento, 51,6% dos entrevistados concordaram com a afirmação de que “ministros do STF decidem mais por interesse próprio do que pela lei”. Outros 10,9% discordaram, enquanto 23,9% disseram não concordar nem discordar. A parcela que não soube ou não respondeu correspondeu a 13,6%.

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Entenda o que aconteceu

O levantamento foi realizado em um momento de forte desgaste na relação entre integrantes do STF. Nas últimas semanas, a Corte passou a enfrentar uma crise envolvendo os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, além de desdobramentos relacionados às investigações sobre o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

A pesquisa indica que a percepção de desconfiança não está concentrada apenas em um grupo político. Entre os eleitores que votaram em Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022, 53,3% concordaram com a afirmação de que os ministros decidem mais por interesse próprio. Entre os eleitores de Lula, o índice foi de 50,8%.

Confiança no Supremo

O levantamento também perguntou aos entrevistados qual é o nível de confiança no STF. Os resultados mostram uma avaliação dividida, com quase metade dos entrevistados demonstrando pouca ou nenhuma confiança na Corte.

Ao todo, 21,3% afirmaram não ter nenhuma confiança no STF, enquanto 28,4% disseram ter pouca confiança. Somados, os dois grupos representam 49,7% dos entrevistados.

Por outro lado, 31,2% declararam ter alguma confiança no Supremo e apenas 7,3% afirmaram ter muita confiança. Outros 11,8% não souberam ou não responderam.

Percepção sobre política e investigações

A pesquisa também apresentou outras afirmações aos entrevistados para medir a percepção sobre a relação entre política, investigações e instituições.

Uma delas foi a frase de que “investigação que vem a público é para prejudicar politicamente alguém”. Nesse caso, 23% concordaram, enquanto 24,7% discordaram. Outros 37,8% não concordaram nem discordaram e 14,5% não souberam responder.

Outra afirmação apresentada aos participantes foi a de que os dois lados da política brasileira são igualmente corruptos. 41,9% concordaram com a frase, enquanto 17,7% discordaram. Outros 27,1% ficaram em uma posição intermediária e 13,3% não souberam ou não responderam.

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Comparação com outras instituições

A pesquisa também avaliou a confiança dos eleitores em diferentes instituições brasileiras.

O STF registrou 31,2% de “alguma confiança” e 7,3% de “muita confiança”. Já a Polícia Federal teve 16% na categoria de muita confiança, enquanto o Ministério Público alcançou 13,9%.

O levantamento também mostrou índices relevantes de desconfiança em relação ao Congresso Nacional e à imprensa.

Como a pesquisa foi feita

O Meio/Ideia entrevistou 1.500 eleitores com 16 anos ou mais, entre os dias 4 e 7 de setembro de 2026.

A pesquisa tem margem de erro de 2,5 pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-07935/2026.

Entenda o contexto

Os números aparecem em meio ao aumento da desconfiança sobre a atuação do STF e à crise institucional que envolve diferentes integrantes da Corte. O resultado mostra que a percepção de que decisões dos ministros podem estar relacionadas a interesses próprios alcança eleitores de diferentes posições políticas.

Embora pesquisas de opinião indiquem a percepção da população, os números não comprovam que decisões judiciais sejam efetivamente tomadas por interesses particulares. O dado representa a avaliação dos entrevistados sobre a atuação do Supremo.

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