O Supremo Tribunal Federal (STF) viveu mais um momento de tensão interna nesta terça-feira (8). O presidente da Corte, Edson Fachin, suspendeu as decisões dos ministros André Mendonça e Flávio Dino sobre o comando da Polícia Federal, e a questão foi levada para análise do plenário.
Fachin também assumiu a relatoria do inquérito das fake news no trecho que envolvia o pedido de investigação contra Mendonça apresentado por Alexandre de Moraes, e determinou que eventuais novas investigações envolvendo ministros do Supremo passem, a partir de agora, pela presidência da Corte.
Dino proíbe Mário Frias de deixar o país
Em meio à crise, o ministro Flávio Dino tomou uma decisão com repercussão política ao proibir o deputado federal Mário Frias de deixar o país e de manter contato com outros investigados na operação que apura suspeitas envolvendo recursos públicos e o filme Dark Horse.
No NC News Acontece, o comentarista Davidson Cavalcante afirmou considerar correta a decisão de Dino. Para ele, todos os envolvidos no caso do ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, deveriam ser tratados da mesma forma, sem o que classificou como “autoblindagem” de um lado ou de outro.
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Mário Frias é apontado como elo entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro
Davidson lembrou que o presidente Lula, na véspera, defendeu publicamente abrir “a caixa-preta do Master, doa a quem doer”, fala que classificou como mais próxima de um discurso de candidato do que de presidente, já que Lula também disputa a reeleição.
O comentarista citou Mário Frias como o principal nome apontado na aproximação entre o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Segundo Davidson, Flávio chegou a negar publicamente conhecer o ex-banqueiro, mas um áudio divulgado posteriormente contradisse essa versão.
Comentarista defende investigação igual para todos os lados
Para Davidson, o ministro André Mendonça, relator do caso Banco Master, “tinha que ter passado o pente fino em todo mundo, não só de um lado”. Ele avaliou que a situação de Mendonça também é delicada o suficiente para justificar a intervenção de Fachin.
O comentarista afirmou que circula nos bastidores a informação, ainda não confirmada oficialmente, de que Mendonça teria liberado parte de um relatório da Polícia Federal, supostamente com interferência dele, para atingir Alexandre de Moraes, hoje apontado por setores da direita como adversário político. Davidson também opinou que Moraes deveria ter deixado o cargo diante do envolvimento no caso, opinião pessoal do comentarista sobre o tema.
Suspeita liga parte do dinheiro do filme a Eduardo Bolsonaro
Durante o programa, a apresentação mencionou uma suspeita, ainda sob apuração da Polícia Federal e não confirmada, de que parte dos recursos usados no filme Dark Horse poderia ter sido destinada a manter Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, após ele perder o mandato e o foro privilegiado no Brasil.
Segundo essa hipótese, discutida no programa, como o pai está preso e o irmão Flávio, como candidato, evitaria enviar recursos diretamente, o dinheiro teria passado por Mário Frias, que não disputa a Presidência, como intermediário até chegar a Eduardo Bolsonaro por meio de contas de terceiros. Davidson destacou que, se confirmada, a suspeita envolveria nomes de diferentes campos políticos, e não apenas de um partido ou lado.
Segundo o comentarista, o fato de a Justiça impedir Mário Frias de deixar o país sugere que havia algum tipo de planejamento em curso, e levantou a dúvida sobre se o deputado pretendia sair do Brasil antes que o caso ganhasse mais repercussão.
Comentarista alerta para risco de anulação de processos
Davidson defendeu que a discussão não deve ser tratada como uma disputa entre apoiadores de Moraes e de Mendonça, e criticou o que chamou de tendência de tratar ministros do STF como “super-heróis” do momento, primeiro Moraes, depois Mendonça.
Segundo ele, esses processos, por estarem contaminados por acusações cruzadas entre ministros, correm o risco de serem anulados pelo próprio presidente da Corte, caso o tema seja levado ao plenário, o que seria negativo tanto para a imagem política dos envolvidos quanto para a reputação do Supremo.
Davidson avaliou ainda que a relatoria do caso Banco Master poderia ser redistribuída pelo próprio Fachin, caso fique demonstrado o envolvimento de outros ministros na disputa, e defendeu que o Supremo faça uma apuração ampla antes de manter a condução atual do processo.
A expectativa, segundo o programa, é de que a próxima sessão do STF, marcada para a próxima terça-feira, seja decisiva para definir os próximos passos da crise institucional.
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Entenda o contexto
A crise em torno do STF e da Polícia Federal começou quando o ministro André Mendonça, relator do caso Banco Master, determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada, após acusar a corporação de monitoramento irregular contra ele e o advogado-geral da União, Jorge Messias.
Em seguida, o ministro Flávio Dino determinou o retorno de Andrei Rodrigues ao cargo, decisão que o presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu nesta terça-feira, levando o caso ao plenário da Corte.
Paralelamente, o ministro Alexandre de Moraes pediu a abertura de uma investigação contra Mendonça, alegando quebra de imparcialidade na condução do caso Banco Master. Fachin retirou esse pedido do inquérito das fake news e determinou que passe por um novo procedimento, com prazo para manifestação da Procuradoria-Geral da República e do próprio Mendonça.
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