Boeing 787 bate a cauda na pista após piloto acionar botão errado durante pouso

Relatório final do NTSB concluiu que comandante ativou inadvertidamente o sistema de decolagem e arremetida momentos depois do toque; aeronave teve danos substanciais, mas ninguém ficou ferido
Redação NC News
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Um Boeing 787-9 da companhia japonesa All Nippon Airways (ANA) bateu a parte traseira da fuselagem na pista durante o pouso em Houston, nos Estados Unidos, depois que o comandante acionou inadvertidamente o botão de decolagem e arremetida, conhecido como TOGA. A conclusão está no relatório final do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB), divulgado em setembro.

O acidente aconteceu em 27 de fevereiro de 2026, quando o voo NH114, que havia saído de Tóquio com destino a Houston, pousava no aeroporto George Bush Intercontinental. A aeronave transportava 197 passageiros e 12 tripulantes. Ninguém ficou ferido, mas a fuselagem inferior sofreu danos considerados substanciais pelo órgão americano.

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O pouso ocorreu na pista 26L do aeroporto de Houston, em condições de baixa visibilidade provocadas por neblina. Segundo o NTSB, a tripulação optou por realizar uma aproximação de Categoria III com o sistema de pouso automático da aeronave.

O avião tocou a pista normalmente. Logo depois, porém, enquanto o comandante se preparava para acionar os reversores dos motores, o nariz da aeronave começou a subir de maneira inesperada.

O primeiro oficial percebeu que o sistema havia entrado no modo TOGA, enquanto os dois pilotos afirmaram não se lembrar de terem pressionado o botão.

O registro dos dados de voo, no entanto, mostrou que o comando havia sido acionado cerca de meio segundo depois do toque das rodas na pista.

 O que é o botão TOGA

TOGA é a sigla utilizada para Takeoff/Go-Around, ou seja, decolagem/arremetida.

O sistema existe para situações em que o piloto precisa interromper um pouso e fazer a aeronave voltar a subir. No Boeing 787, o acionamento do comando pode alterar os sistemas de potência e de controle de voo para uma configuração de arremetida.

No caso ocorrido em Houston, o problema foi que o comando foi ativado depois que o avião já havia tocado a pista.

Com o TOGA acionado, o modo de controle de arfagem do piloto automático passou a comandar uma atitude de nariz para cima. A inclinação da aeronave aumentou de 3,5 graus para 7,4 graus em aproximadamente dois segundos.

 Como a cauda atingiu a pista

O comandante percebeu a elevação do nariz e empurrou a coluna de controle para frente. Entretanto, a correção demorou a ocorrer.

Cerca de cinco segundos depois da ativação do TOGA, houve o comando para baixar o nariz. Dois segundos depois, a força aplicada à coluna chegou a aproximadamente 40 libras, ou 18 quilos, suficiente para desconectar o piloto automático.

Nesse momento, a aeronave havia chegado a 7,8 graus de inclinação, posição suficiente para provocar o contato da parte traseira da fuselagem com a pista. O ângulo chegou posteriormente a 7,9 graus.

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Sistema de proteção não conseguiu impedir o impacto

O Boeing 787 possui uma função de proteção contra tail strike, justamente para reduzir o risco de a parte traseira da aeronave tocar a pista.

De acordo com o NTSB, o sistema chegou a atuar e comandou movimentos do elevador para tentar reduzir a elevação do nariz. A autoridade disponível, porém, foi insuficiente para impedir o aumento da inclinação depois que o TOGA foi acionado.

Os investigadores também não encontraram evidências de falha do piloto automático ou de outro defeito mecânico que tivesse provocado a elevação do nariz.

 Investigação apontou ação involuntária do comandante

Como os pilotos não se lembravam de ter pressionado o botão e não havia indícios de falha do sistema, os investigadores concluíram que o comandante provavelmente acionou o TOGA sem perceber enquanto procurava os comandos dos reversores.

O relatório aponta ainda que as condições que impediriam a ativação do TOGA após o pouso ainda não estavam satisfeitas no momento do acionamento. Por isso, o comando foi aceito pelo sistema.

Para o NTSB, a tripulação não percebeu imediatamente que o modo TOGA havia sido ativado, e a demora para identificar o aumento da inclinação impediu uma correção a tempo de evitar o impacto da fuselagem com a pista.

 Boeing 787 teve danos substanciais

Após o pouso, uma inspeção identificou danos na parte inferior da fuselagem, além de marcas no sensor de tail strike e em uma antena instalada na região inferior do avião.

O NTSB classificou os danos à aeronave como substanciais. Apesar disso, o Boeing conseguiu completar o procedimento de pouso e sair da pista sem outros incidentes.

Não houve incêndio e nenhum dos 209 ocupantes ficou ferido.

Entenda o contexto

O acidente envolveu o Boeing 787-9 de matrícula JA873A, fabricado em 2015 e equipado com dois motores Rolls-Royce Trent 1000. No momento do acidente, a aeronave acumulava aproximadamente 44,4 mil horas de voo.

O comandante tinha 16.413 horas de experiência total, sendo 2.969 horas no modelo Boeing 787. O primeiro oficial acumulava 3.929 horas de voo, das quais 2.575 eram no mesmo modelo.

O relatório final do NTSB, publicado em 8 de setembro de 2026, classificou como causa provável a ativação inadvertida do botão de decolagem/arremetida pelo comandante no momento do toque, seguida pelo aumento da atitude de arfagem que não foi corrigido antes de a parte inferior da fuselagem atingir a pista.

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