Com a eleição presidencial de 2026 se aproximando, uma pergunta volta ao centro do debate: afinal, o que um presidente da República pode fazer sozinho e o que depende do Congresso Nacional ou de outras instituições?
O presidente é o chefe do Poder Executivo federal e exerce a direção superior da administração pública da União, auxiliado pelos ministros de Estado. Entre suas responsabilidades estão a execução das leis, a condução da política externa, a apresentação de propostas ao Congresso, a nomeação de autoridades e o comando das Forças Armadas.
O cargo também envolve limites definidos pela Constituição. O presidente não governa sozinho: determinadas decisões dependem de aprovação do Congresso, enquanto outras estão sujeitas ao controle do Judiciário e às regras orçamentárias.
VEJA TAMBÉM
Folga eleitoral: quem trabalha nas eleições tem direito a quantos dias de descanso?
Quanto ganha o presidente?
O subsídio mensal do presidente da República está atualmente fixado em R$ 46.366,19.
O mesmo valor é aplicado ao vice-presidente e aos ministros de Estado, conforme o Decreto Legislativo nº 172/2022. O valor de R$ 46.366,19 passou a valer em 1º de fevereiro de 2025.
A remuneração é paga como subsídio, em parcela única. A Constituição estabelece regras específicas para a remuneração dos agentes políticos e determina limites para os pagamentos realizados pelo poder público.
Além do salário, o exercício da Presidência envolve toda uma estrutura administrativa e institucional necessária para o funcionamento do governo federal. Esses recursos, entretanto, não devem ser confundidos com remuneração pessoal do presidente.

O presidente comanda o governo federal
A principal função do presidente é exercer a direção superior da administração federal.
Na prática, isso significa coordenar o governo federal e definir, com auxílio dos ministros, as prioridades da administração pública da União.
O presidente nomeia e exonera ministros de Estado e pode reorganizar determinadas estruturas administrativas dentro dos limites estabelecidos pela Constituição e pelas leis.
Também cabe ao presidente encaminhar ao Congresso Nacional o plano de governo e as principais propostas orçamentárias da União.
Entre os documentos que passam pelo Executivo estão o Plano Plurianual (PPA), a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a proposta de Lei Orçamentária Anual (LOA).
Isso significa que o presidente participa diretamente da definição das prioridades de gastos do governo federal, mas o orçamento depende da tramitação e aprovação pelo Congresso.
Pode criar leis sozinho?
Não. Essa é uma das diferenças importantes entre o sistema presidencialista brasileiro e a ideia de que o presidente teria poder absoluto sobre o país.
O presidente pode iniciar o processo legislativo em determinadas matérias, sancionar projetos aprovados pelo Congresso e vetar total ou parcialmente projetos de lei.
Mas uma proposta apresentada pelo Executivo precisa passar pelo processo legislativo quando a Constituição assim determina.
O presidente também pode editar medidas provisórias, que têm força de lei imediatamente, mas precisam ser analisadas pelo Congresso Nacional e obedecer aos requisitos constitucionais.
O chefe do Executivo também pode editar decretos e regulamentos para permitir a execução das leis. A Constituição, porém, estabelece limites para esse poder regulamentar.

O presidente pode vetar uma lei?
Sim. Depois que um projeto é aprovado pelo Congresso, ele pode ser encaminhado ao presidente para sanção ou veto.
O veto pode ser total ou parcial, conforme as regras constitucionais.
Mas o veto presidencial não é necessariamente definitivo. O Congresso Nacional pode analisar o veto e, nos termos previstos pela Constituição, decidir pela sua manutenção ou rejeição.
Por isso, mesmo nesse instrumento, existe uma relação de controle entre Executivo e Legislativo.
O Congresso também fiscaliza os atos do Poder Executivo e aprecia as contas apresentadas pelo presidente.
Relações internacionais e Forças Armadas
Outra parte importante do cargo envolve a atuação do Brasil no exterior.
Cabe ao presidente manter relações com outros países e acreditar representantes diplomáticos brasileiros.
Também compete ao chefe do Executivo celebrar tratados, convenções e atos internacionais, que ficam sujeitos às regras constitucionais e, quando previsto, ao referendo do Congresso.

O presidente ainda exerce o comando supremo das Forças Armadas.
Entre suas atribuições estão a nomeação dos comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, além da promoção de oficiais-generais nos casos previstos na Constituição.
Em situações excepcionais, o presidente também possui atribuições relacionadas a mecanismos como estado de defesa, estado de sítio e intervenção federal, sempre dentro das condições e controles estabelecidos pela Constituição.

Quem o presidente pode nomear?
O presidente possui poder de nomeação para uma série de cargos importantes da administração pública e das instituições federais.
Ele nomeia ministros de Estado e, em determinados casos, autoridades que precisam passar antes pela aprovação do Senado Federal.
É o caso, por exemplo, dos ministros do Supremo Tribunal Federal e dos tribunais superiores, do procurador-geral da República e do presidente e diretores do Banco Central, entre outras autoridades previstas na Constituição.
A escolha presidencial, portanto, nem sempre significa nomeação automática. Em diversos cargos, existe participação obrigatória do Senado.
Esse mecanismo faz parte do sistema de freios e contrapesos entre as instituições.

O que o presidente não pode fazer sozinho
Apesar da extensão das atribuições presidenciais, existem limites claros.
O presidente não pode simplesmente criar uma lei por vontade própria, gastar dinheiro público sem previsão orçamentária ou ignorar decisões judiciais.
Também existem matérias que dependem da aprovação do Congresso Nacional.
O Legislativo tem competência para fiscalizar e controlar atos do Executivo, além de analisar as contas presidenciais e votar projetos que dependem de aprovação parlamentar.
O próprio presidente está sujeito à Constituição e às leis.
Em determinadas circunstâncias, inclusive, pode responder por crimes comuns ou por crimes de responsabilidade. A Constituição estabelece que, admitida uma acusação por dois terços da Câmara dos Deputados, o presidente poderá ser submetido a julgamento perante o STF nas infrações penais comuns ou perante o Senado nos crimes de responsabilidade.
Presidente também apresenta as prioridades do governo
Uma das funções políticas mais importantes do presidente é definir as prioridades da administração federal.
Isso ocorre por meio do plano de governo, das propostas enviadas ao Congresso, da escolha dos ministros e da condução das políticas públicas federais.
O presidente pode determinar diretrizes para diferentes áreas do governo, mas a execução dessas políticas depende da estrutura dos ministérios, da legislação aprovada e da disponibilidade orçamentária.
É por isso que uma promessa feita durante uma campanha presidencial nem sempre pode ser transformada imediatamente em uma medida do governo.
Dependendo do assunto, pode ser necessário aprovar uma lei, obter recursos no orçamento, regulamentar uma norma ou negociar com o Congresso.
E o vice-presidente?
O vice-presidente é eleito junto com o presidente e exerce funções definidas pela Constituição e pelo governo.
Ele pode substituir o presidente em caso de impedimento e sucedê-lo em caso de vacância do cargo.
O vice também pode receber missões específicas do presidente e participar de órgãos de consulta previstos na Constituição.
Em determinadas situações, portanto, o vice-presidente pode assumir temporariamente a Presidência sem que isso represente uma nova eleição.

Quanto tempo dura o mandato?
O mandato presidencial dura quatro anos.
A Constituição estabelece a eleição simultânea para presidente e vice-presidente, em primeiro turno no primeiro domingo de outubro e, caso necessário, em segundo turno no último domingo de outubro do ano anterior ao término do mandato presidencial vigente.
O presidente pode disputar uma reeleição consecutiva.
Depois de eleito, assume o comando do Executivo federal e passa a ser responsável pela implementação das políticas de governo dentro dos limites constitucionais e legais.
LEIA TAMBÉM
Eleitores podem emitir 2ª via do título e certidões online durante feriados no Tocantins
Entenda O Contexto
O presidente da República é o chefe do Poder Executivo federal e exerce a direção superior da administração da União com auxílio dos ministros de Estado. A Constituição estabelece uma série de atribuições exclusivas do cargo, entre elas nomear e exonerar ministros, sancionar ou vetar projetos de lei, editar medidas provisórias dentro das regras constitucionais, manter relações internacionais, comandar as Forças Armadas e encaminhar ao Congresso propostas relacionadas ao planejamento e ao orçamento federal.
O poder presidencial, entretanto, possui limites. O Congresso Nacional participa da aprovação das leis e do orçamento, fiscaliza os atos do Executivo e exerce outras competências próprias. Algumas nomeações feitas pelo presidente também dependem de aprovação do Senado. O Judiciário, por sua vez, pode analisar a constitucionalidade dos atos praticados pelos poderes públicos.
Em 2026, o subsídio mensal do presidente da República está fixado em R$ 46.366,19. O valor também é aplicado ao vice-presidente e aos ministros de Estado e foi estabelecido pelo Decreto Legislativo nº 172/2022, com vigência do valor atual desde fevereiro de 2025.
Mais do que representar o país ou ocupar o cargo político mais alto do Executivo, o presidente precisa administrar a máquina federal, coordenar ministérios, apresentar propostas, executar políticas públicas e lidar permanentemente com o Congresso, o Judiciário, os governos estaduais, municípios e instituições internacionais. O cargo reúne poderes relevantes, mas seu exercício está submetido às regras estabelecidas pela Constituição Federal.
AS MAIS LIDAS DO NC NEWS
Vorcaro procurou Gilmar Mendes por causa que poderia chegar a R$ 145 bilhões no STF