A greve dos Correios chega ao nono dia nesta sexta-feira (18) sem acordo entre a estatal e os trabalhadores. A paralisação, iniciada em 10 de setembro, será discutida pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) na próxima segunda-feira (21), quando está previsto o julgamento do dissídio coletivo de greve.
O principal ponto de divergência é o plano de saúde dos funcionários, mas a negociação também envolve salários, benefícios e outras condições previstas no acordo coletivo. Enquanto a empresa afirma precisar reduzir despesas, os trabalhadores defendem a manutenção de direitos.
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Entenda o que aconteceu
A paralisação começou às 22h de 10 de setembro, depois que os trabalhadores rejeitaram a proposta apresentada pelos Correios durante a campanha salarial. Desde então, a empresa e as entidades que representam a categoria tentam chegar a um acordo.
Sem uma solução, os Correios recorreram ao TST e apresentaram um pedido de dissídio coletivo. O julgamento foi marcado para segunda-feira (21), às 13h30.
O que está em discussão
Um dos principais pontos é o CorreiosSaúde.
Os trabalhadores contestam a proposta da empresa de alterar sua condição de mantenedora do plano para patrocinadora. A categoria afirma que a mudança pode afetar as condições de assistência médica para empregados, aposentados e dependentes.
Já os Correios argumentam que a alteração faz parte das medidas necessárias para reduzir despesas e diminuir os riscos financeiros relacionados ao plano de saúde. Segundo informações apresentadas pela empresa, o risco atuarial atualmente assumido pela estatal é estimado em quase R$ 600 milhões em provisões.
Empresa diz que precisa reduzir despesas
No pedido de dissídio apresentado ao TST, os Correios afirmaram que atravessam um processo de reestruturação e precisam controlar os gastos.
Segundo a estatal, 89% das receitas são destinadas ao pagamento de salários e benefícios. A empresa sustenta que as mudanças propostas fazem parte do esforço para recuperar o equilíbrio financeiro.
Entre as medidas apresentadas estão alterações em benefícios e regras trabalhistas, como a redução do adicional de férias de 70% para um terço do salário, conforme previsto na CLT, e mudanças no pagamento de horas extras.
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O que os trabalhadores reivindicam
Os sindicatos defendem a manutenção do plano de saúde nos moldes atuais e também reivindicam a preservação de outros direitos previstos no acordo coletivo.
A categoria também questiona propostas relacionadas a adicionais, gratificações e pagamentos referentes a férias, repousos e feriados trabalhados.
Segundo o SINTECT-SP, a expectativa é de retomada das negociações. O presidente da entidade, Elias Diviza, afirmou que os trabalhadores esperam um acordo que preserve os direitos da categoria e o plano de saúde.
Correios afirmam que serviços continuam
Mesmo com a paralisação, os Correios afirmam que mantêm as operações e adotam medidas para reduzir os impactos sobre os clientes.
Entre as ações estão o remanejamento de equipes, reforço das atividades operacionais, deslocamento de veículos e realização de mutirões para manter o fluxo de encomendas.
A empresa também informou que apresentou uma proposta contemplando 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo. Segundo os Correios, o texto previa reajuste de 100% do INPC sobre salários e benefícios, com vigência a partir de 1º de agosto, além da manutenção da assistência à saúde.
TST determinou funcionamento mínimo de 80%
Antes do julgamento do dissídio, o TST determinou que os sindicatos mantenham pelo menos 80% do efetivo em atividade em cada unidade dos Correios durante a paralisação.
A determinação considera a necessidade de preservar a continuidade dos serviços postais.
A decisão permanece válida enquanto o tribunal não analisar definitivamente o dissídio.
O que acontece na segunda-feira
O julgamento está marcado para 13h30 de segunda-feira (21) no TST.
O resultado poderá definir as condições relacionadas à greve e às reivindicações apresentadas no dissídio coletivo. Até a sessão, porém, empresa e trabalhadores ainda podem chegar a um acordo.
No mesmo dia, às 18h, o SINTECT-SP convocou uma assembleia na Quadra da Escola de Samba Unidos do Peruche, na zona norte de São Paulo. Os trabalhadores deverão avaliar o resultado do julgamento e decidir os próximos passos da paralisação.
Entenda o contexto
A greve ocorre em um momento de reestruturação financeira dos Correios. A estatal afirma que precisa reduzir despesas e melhorar sua eficiência operacional.
Ao mesmo tempo, a categoria contesta mudanças que podem atingir benefícios e condições de trabalho, principalmente o plano de saúde.
O impasse coloca frente a frente duas questões: de um lado, a necessidade apontada pela empresa de reduzir custos; de outro, a defesa dos direitos trabalhistas feita pelos sindicatos.
Enquanto não houver acordo ou decisão definitiva do TST, a paralisação continua e os Correios mantêm medidas para tentar reduzir os impactos sobre as entregas.
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