Envelhecer com saúde não é resultado de uma mudança feita apenas quando a idade começa a avançar. É uma construção diária. Essa foi uma das principais mensagens da geriatra Daniela Lima durante participação no Fala Doutor, quadro do NC News Acontece que recebe especialistas para esclarecer dúvidas sobre saúde e temas que fazem parte da rotina da população.
Especialista em Geriatria pelo HC-FMUSP e com pós-graduação em Medicina Integrativa pelo Ensino Einstein, Daniela explicou que hábitos relacionados ao sono, alimentação, atividade física, controle do estresse e relações sociais podem influenciar diretamente a forma como uma pessoa envelhece. A médica também chamou atenção para a importância da musculação, do equilíbrio e até do propósito de vida.
Envelhecimento saudável é construído todos os dias
Logo no início da entrevista, Daniela apresentou exemplos de pacientes que chegam ao consultório aos 80, 85 e até 90 anos mantendo independência e autonomia.
“Eu acho que a gente pensa no envelhecimento como uma construção, uma construção diária”, afirmou a geriatra.
Para a especialista, isso significa que os hábitos adotados ao longo da vida têm papel importante na manutenção da saúde física e mental.
“Todos os dias eu tenho que acordar e pensar em como eu vou envelhecer. Os hábitos diários são construídos dia a dia”, explicou.
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Sono e alimentação estão na base dos cuidados
Entre os primeiros pilares citados pela médica estão o sono adequado e a alimentação.
Daniela destacou a importância de garantir períodos suficientes de descanso e de observar hábitos que podem prejudicar a qualidade do sono.
Na alimentação, a especialista recomendou atenção ao consumo excessivo de açúcar, alimentos industrializados, produtos ricos em gordura, sal, conservantes e corantes.
Ela também chamou atenção para o consumo de cafeína no período da tarde e da noite, especialmente entre pessoas que apresentam dificuldades para dormir.
Musculação ganha importância com o avanço da idade
Um dos pontos destacados durante o Fala Doutor foi a atividade física. Segundo Daniela, existem diferentes tipos de exercícios que devem ser considerados na construção de um envelhecimento saudável.
O primeiro deles é o exercício resistido, categoria que inclui a musculação.
“Precisa ir para a academia? Não necessariamente, mas precisa pegar peso”, explicou.
A ideia, segundo a médica, é oferecer resistência aos músculos para ajudar na preservação da massa muscular. A forma de realizar o exercício, porém, deve respeitar a condição e as necessidades de cada pessoa.
Daniela ressaltou ainda que pessoas mais velhas ou que estão começando a praticar exercícios devem avaliar previamente suas condições de saúde e capacidade cardiovascular.
Caminhada, corrida, bicicleta e natação também entram na rotina
Além dos exercícios de força, a geriatra destacou a importância das atividades aeróbicas.
Corrida, caminhada, bicicleta e natação estão entre os exemplos apresentados durante a entrevista.
Essas atividades elevam a frequência cardíaca durante determinado período e podem fazer parte de uma rotina voltada à manutenção da capacidade física.
A recomendação, no entanto, não significa que todas as pessoas devam começar com a mesma intensidade. O histórico de saúde, a idade e a condição física precisam ser considerados antes de mudanças importantes na rotina de exercícios.
Equilíbrio deve receber atenção principalmente depois dos 60
Daniela acrescentou um terceiro elemento à atividade física: os exercícios destinados ao equilíbrio.
Segundo a especialista, esse trabalho se torna especialmente relevante após os 60 anos porque pode ajudar a preparar o organismo para fases da vida em que o risco de quedas tende a ganhar maior importância.
“Quando a gente envelhece perto dos 80, 90, a gente começa a ter um alto risco de quedas se a gente não olhou para isso anteriormente”, explicou.
A manutenção da força muscular e da mobilidade também está relacionada à preservação da autonomia ao longo do envelhecimento.
“Sempre há tempo de mudar”, afirma geriatra
Durante o programa, uma telespectadora de Manaus questionou como enfrentar a ideia de que envelhecer necessariamente representa perdas e limitações.
Daniela afirmou que a maneira como a sociedade encara o envelhecimento precisa mudar.
“Eu tenho pacientes entrando no consultório com 80, 85, 90 anos e sentando na minha cadeira lúcidas, autônomas”, contou.
Segundo a médica, embora a construção de uma vida saudável possa começar muito cedo, mudanças positivas também podem ser adotadas em idades mais avançadas.
“Como geriatra, sempre digo que sempre há tempo de mudar”, afirmou.
Envelhecimento também envolve propósito e relações sociais
A entrevista foi além dos aspectos físicos. Daniela explicou que o envelhecimento saudável também deve considerar propósito, espiritualidade e relações sociais.
Ao falar sobre espiritualidade, a médica ressaltou que o conceito utilizado no contexto apresentado não está necessariamente relacionado a uma religião específica, mas ao sentido atribuído à própria vida.
“Na medicina a gente chama de espiritualidade o nosso sentido de vida. Não é necessariamente a religiosidade”, explicou.
A especialista também destacou a importância de preservar vínculos amorosos, familiares, profissionais e de amizade.
Segundo Daniela, o isolamento e a solidão merecem atenção por estarem associados a prejuízos à saúde e à qualidade de vida.
Estresse também pode interferir no processo de envelhecimento
Outro ponto abordado foi o estresse. De acordo com a médica, uma rotina marcada por tensão constante pode afetar diferentes aspectos da saúde.
O estresse pode interferir no sono e também influenciar comportamentos relacionados à alimentação, principalmente quando a comida passa a ser utilizada como forma de compensação emocional.
Atividade física, práticas meditativas, períodos de lazer e ajustes na carga de trabalho foram citados como estratégias que podem contribuir para o manejo do estresse.
A médica reforçou que o descanso precisa fazer parte da rotina e que saúde não deve ser entendida apenas como aumento constante de produtividade ou intensidade.
Começar tudo de uma vez também pode ser um problema
No fim da entrevista, a apresentadora levantou outra situação comum: pessoas que chegam aos 50 anos, percebem que não cuidaram da saúde como gostariam e tentam mudar tudo de uma vez.
Daniela alertou que o excesso também pode ser prejudicial.
“O nosso corpo trabalha com equilíbrio”, resumiu.
Segundo ela, alguém que passou décadas sem praticar atividade física não deve simplesmente iniciar uma rotina de exercícios muito intensos sem considerar suas condições individuais.
“Qualquer pessoa que faz esporte em excesso, o corpo entende como estresse. Então, é importante primeiro começar gradual”, explicou.
Vitaminas em excesso não significam mais saúde
O alerta também vale para vitaminas e suplementos.
Daniela explicou que esses produtos podem ter indicação em determinadas situações, mas isso não significa que doses maiores produzam necessariamente mais benefícios.
“As vitaminas têm indicação, quando indicadas vão bem, mas tudo que é em excesso também não faz bem”, afirmou.
A médica citou especificamente a vitamina D para explicar que o excesso de determinadas substâncias pode provocar problemas ao organismo.
Por isso, a orientação apresentada durante o programa foi evitar mudanças radicais ou suplementação indiscriminada e buscar avaliação individual quando necessário.
Velhice não precisa ser sinônimo de incapacidade
Daniela também defendeu uma mudança cultural sobre a forma como pessoas mais velhas são enxergadas.
Para a especialista, o envelhecimento não deve ser analisado exclusivamente pelas mudanças físicas. Experiência e conhecimento acumulados ao longo dos anos também precisam entrar nessa avaliação.
“Existe algo que você ganha com o envelhecimento que não é contado no corpo. Eu falo que é a sabedoria”, afirmou.
Ela destacou que pessoas com mais idade continuam trabalhando, participando da vida familiar e contribuindo de diferentes maneiras para a sociedade.
A mensagem central é que preservar autonomia e qualidade de vida depende de uma combinação de fatores e de cuidados construídos ao longo do tempo, respeitando as condições individuais de cada pessoa.
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Entenda o contexto
O Fala Doutor é um quadro exibido às segundas-feiras no NC News Acontece e recebe especialistas para discutir temas relacionados à saúde e responder dúvidas enviadas pelos telespectadores. Nesta edição, o assunto central foi como envelhecer preservando saúde, autonomia e qualidade de vida.
A convidada foi a Dra. Daniela Lima, médica há mais de 15 anos, especialista em Geriatria pelo HC-FMUSP e com pós-graduação em Medicina Integrativa pelo Ensino Einstein. A médica atua no corpo clínico de Geriatria do Hospital Israelita Albert Einstein e possui trajetória em liderança hospitalar e ensino médico.
Ao longo da entrevista, Daniela destacou que não existe um único hábito capaz de garantir um envelhecimento saudável. Sono, alimentação, força muscular, capacidade aeróbica, equilíbrio, manejo do estresse, vínculos sociais e propósito foram apresentados como partes de uma construção que acontece durante a vida.
A especialista também reforçou que mudanças podem ser realizadas mesmo depois dos 50, 60 ou 70 anos, mas devem respeitar as condições individuais e, especialmente no caso da atividade física e da suplementação, contar com orientação adequada quando necessária.
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