O que você come pode mudar a aparência e até o cheiro do corpo, aponta revisão de estudos

Análise de mais de 30 pesquisas encontrou associações entre uma dieta rica em vegetais, tonalidade da pele, odor corporal e percepção de atratividade.
Redação NC News
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A alimentação pode influenciar mais do que o peso e a saúde interna. Uma revisão de mais de 30 estudos indica que o que uma pessoa coloca no prato também pode estar relacionado a características percebidas externamente, como a aparência da pele, o odor corporal e até a percepção de atratividade.

O trabalho foi publicado em junho na revista Recent Progress in Nutrition e analisou pesquisas que investigaram possíveis relações entre alimentação e percepção da aparência. Os autores, porém, ressaltam que os resultados não significam que determinados alimentos sejam capazes, sozinhos, de deixar alguém mais saudável ou atraente.

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Entenda o que aconteceu

Os pesquisadores analisaram estudos que relacionaram hábitos alimentares a diferentes características utilizadas pelas pessoas para avaliar a aparência umas das outras.

Entre os principais pontos observados estão mudanças na tonalidade da pele associadas ao consumo de alimentos ricos em carotenoides, possíveis diferenças no odor do suor e relações entre composição corporal e percepção de atratividade.

A análise sugere que uma alimentação com maior presença de vegetais pode influenciar alguns desses aspectos, mas os próprios pesquisadores alertam que muitas das evidências ainda mostram associações, e não necessariamente uma relação direta de causa e efeito.

Carotenoides podem alterar a tonalidade da pele

Um dos mecanismos estudados envolve os carotenoides, pigmentos encontrados em frutas e vegetais de cores amarela, laranja e vermelha.

O consumo desses alimentos pode aumentar a concentração de carotenoides na pele e alterar sua tonalidade. Em alguns estudos analisados, essa mudança foi associada a uma aparência considerada mais saudável ou atraente pelos participantes.

Isso não significa, porém, que uma alteração na cor da pele represente necessariamente uma melhora na saúde interna.

O efeito está relacionado principalmente à presença desses pigmentos no organismo e à forma como a mudança é percebida visualmente.

Alimentação também pode influenciar o odor corporal

Outro aspecto analisado na revisão foi o cheiro do corpo.

Algumas evidências apontam que homens que consomem mais vegetais podem apresentar um odor de suor considerado mais agradável do que aqueles que seguem dietas com maior presença de carne.

Um dos experimentos citados pelos pesquisadores também encontrou associação entre o consumo de alho e avaliações mais positivas do odor corporal.

Os resultados, no entanto, não permitem concluir que um alimento específico seja capaz de modificar permanentemente o cheiro de uma pessoa.

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Peso e composição corporal entram na análise

A composição corporal também apareceu entre os fatores relacionados à percepção de atratividade.

Alguns estudos indicam que níveis menores de gordura corporal podem estar associados a avaliações mais positivas da aparência. Como dietas com maior consumo de vegetais frequentemente estão relacionadas a menor índice de massa corporal, os pesquisadores levantam a possibilidade de que exista uma relação indireta.

Isso não significa que simplesmente aumentar o consumo de vegetais produza automaticamente determinada mudança no peso ou na aparência.

Diversos fatores influenciam a composição corporal, incluindo genética, atividade física, quantidade total de alimentos consumidos e condições de saúde.

Aparência pode ser usada para incentivar uma alimentação melhor

Os pesquisadores também discutem uma possibilidade diferente: utilizar mudanças visíveis como estratégia para incentivar hábitos alimentares mais saudáveis.

Campanhas de saúde normalmente destacam benefícios de longo prazo, como prevenção de doenças e aumento da longevidade. Entretanto, algumas pessoas podem responder melhor a resultados que conseguem perceber no curto prazo.

Um dos experimentos analisados apresentou aos participantes simulações de possíveis alterações na tonalidade da pele provocadas pela alimentação. Ao longo de dez semanas, essas pessoas aumentaram o consumo de frutas e vegetais.

Para os autores, apresentar benefícios visíveis pode funcionar como uma motivação adicional para mudanças na dieta.

Especialistas alertam para os limites da estratégia

Apesar dos resultados, os pesquisadores recomendam cautela ao utilizar a aparência como argumento para estimular mudanças alimentares.

Parte das pesquisas analisadas não consegue estabelecer uma relação direta de causa e efeito. Além disso, campanhas excessivamente focadas em aparência podem reforçar padrões de beleza e aumentar a pressão sobre pessoas preocupadas com o próprio corpo.

Existe também o risco de esse tipo de mensagem contribuir para comportamentos alimentares prejudiciais ou transtornos relacionados à imagem corporal.

Por isso, os autores defendem que eventuais campanhas devem apresentar informações claras e evitar estigmas relacionados ao peso ou à aparência.

Entenda o contexto

A revisão mostra que existe uma relação possível entre alimentação e algumas características percebidas externamente, mas não sustenta a ideia de que determinados alimentos funcionem como uma espécie de “fórmula da beleza”.

Os resultados mais consistentes apontam para possíveis efeitos de componentes da dieta, como os carotenoides, além de associações envolvendo odor corporal e composição corporal.

Ainda são necessários estudos para entender melhor esses mecanismos e determinar até que ponto as mudanças observadas podem representar benefícios reais para a saúde.

A principal conclusão é que uma alimentação rica em vegetais pode produzir efeitos perceptíveis, mas aparência e saúde não devem ser tratadas como sinônimos.

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