O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, alertou o diretor de Fiscalização da instituição, Ailton de Aquino Santos, sobre informações de que dois servidores do BC teriam recebido valores do ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.
O relato aparece no depoimento de Ailton à Polícia Federal, prestado em maio deste ano e tornado público após a retirada do sigilo de documentos relacionados ao caso Master. Os servidores citados são Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, que atuavam na área de supervisão bancária do Banco Central.
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O que Galípolo informou ao diretor do BC
Segundo Ailton de Aquino, Galípolo o procurou em 7 de janeiro de 2026 para relatar que havia recebido informações de interlocutores, mantidos em anonimato, sobre possíveis pagamentos a Belline e Paulo Sérgio.
O diretor afirmou que ficou surpreso com a informação e, ainda naquele dia, chamou os dois servidores para prestar esclarecimentos.
Após ouvir os funcionários, Ailton decidiu pelo afastamento dos dois.
Servidores são investigados por possível favorecimento ao Master
Belline Santana ocupava a chefia do Departamento de Supervisão Bancária do BC. Paulo Sérgio Neves de Souza também atuava na área responsável pela fiscalização de instituições financeiras.
Segundo a Polícia Federal, os dois mantinham uma relação próxima com Daniel Vorcaro e teriam prestado uma espécie de consultoria informal ao então controlador do Banco Master.
A investigação apura suspeitas de corrupção e organização criminosa relacionadas à atuação dos servidores. As suspeitas ainda são objeto de investigação e não representam, por si só, uma condenação.
Grupo de WhatsApp reunia servidores e Vorcaro
Documentos da investigação apontam que Belline criou, em outubro de 2025, um grupo de WhatsApp com Vorcaro e Paulo Sérgio.
De acordo com a PF, o grupo teria sido utilizado para que o empresário enviasse documentos do Banco Master aos servidores e pedisse opiniões antes de encaminhá-los oficialmente ao Banco Central.
No depoimento, Ailton afirmou que a relação entre os servidores e Vorcaro era conhecida dentro do BC. Segundo ele, até então, os contatos eram vistos como uma relação institucional.
O diretor também declarou que Belline e Paulo Sérgio resistiam ao avanço de fiscalizações relacionadas ao Banco Master.
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Diretor relatou reunião antes da liquidação do Master
Ailton também contou aos investigadores sobre uma reunião realizada com Daniel Vorcaro pouco antes da liquidação do Banco Master.
Segundo o depoimento, o empresário teria pedido o encontro para apresentar uma proposta e afirmado que tinha uma “solução” para a situação da instituição.
Participaram da reunião Ailton, Vorcaro, Belline e Paulo Sérgio. Depois do encontro, Ailton informou a Galípolo que votaria pela liquidação do banco.
Ailton diz que havia vazamentos de informações
Durante o depoimento, o diretor de Fiscalização afirmou que evitava compartilhar avaliações internas sobre o Banco Master porque não confiava no ambiente da instituição.
Segundo Ailton, informações sobre decisões e votos relacionados ao banco chegavam com frequência à imprensa ou aos próprios fiscalizados.
Ele também afirmou que Vorcaro parecia ter conhecimento antecipado de movimentações internas do Banco Central.
Defesa de Paulo Sérgio contesta suspeitas
A defesa de Paulo Sérgio Neves de Souza afirmou que o servidor nunca protegeu os interesses de Daniel Vorcaro e que os contatos entre os dois ocorreram dentro da relação institucional entre supervisor e instituição supervisionada.
Os advogados também sustentam que Paulo Sérgio e sua equipe já haviam identificado problemas graves no Banco Master em setembro de 2024. Segundo a defesa, ele teria apontado um rombo de cerca de R$ 12 bilhões e defendido internamente a liquidação da instituição desde março de 2025.
Entenda o contexto
O caso envolve a investigação da Polícia Federal sobre suspeitas de irregularidades relacionadas ao Banco Master e à atuação de servidores do Banco Central.
Documentos que estavam sob sigilo começaram a ser disponibilizados após determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, atendendo a um pedido do presidente da Corte, Edson Fachin.
Entre os documentos estão depoimentos e informações sobre a relação de Daniel Vorcaro com servidores responsáveis pela supervisão do sistema financeiro.
O depoimento de Ailton de Aquino acrescenta ao caso o relato de que Gabriel Galípolo recebeu informações sobre possíveis pagamentos aos servidores e comunicou o diretor de Fiscalização antes do afastamento dos dois funcionários.
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